Resenha: Garota Exemplar (Gone Girl) – livro

Livro: Garota Exemplar (Gone Girl)

Autor: Gillian Flynn

Editora: Intrinseca

 

Olá a todos!

Como andam as leituras?

Hoje queria falar de um livro que está muito na moda ultimamente, principalmente pôs o filme impactante do diretor David Fincher que é inspirado no livro homônimo e que a atriz Rosamund Pike está concorrendo ao Oscar de melhor atriz.

Eu já tinha assistido ao filme quando o livro, e já estava apaixonada pelo filme, devo dizer que amei ainda mais o livro. A história é a respeito do desaparecimento de Amy Elliot Dunne, casada, moradora do interior, nascida e criada em Nova York e que inspirou na infância uma série famosa de livros chamado “Amy Exemplar” (Sacaram o nome do livro em português?). Amy desaparece no seu 5º aniversário de casamento com Nick Dunne, após seu desaparecimento, várias pistas começam a surgir a todo instante e tudo começa a incriminar Nick pela possível morte de sua esposa.

O livro alterna as perspectivas de Nick e do diário de Amy, é narrado em primeira pessoa mas não nos para de surpreender com novos fatos sobre os próprios personagens que só vão se revelando para o leitor ao longo do livro.

Esse é um livro excelente, eu nunca teria conseguido imaginar o final, nem no final do livro eu conseguiria visualizar no que aquilo iria dar (ok, eu conseguia porque já tinha visto o filme, mas não adivinharia, e não adivinhei vendo o filme), totalmente diferente de todos os romances policiais que já li. A autora da muita profundidade aos personagens, o que ajuda o leitor a entender o porquê das atitudes que eles tomam. Totalmente viciante, de leitura fácil e fluida, você vai acabar de ler antes de perceber que está acabando.

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Não quero falar mais a respeito desse livro porque estou com medo de dar spoilers, e esse é um ótimo livro pra se ler sem saber o que vai acontecer, é ótimo sabendo o que vai acontecer também. Super indico.

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A respeito do filme, é um ótimo filme mas tem um final um pouco diferente do livro, não tanto em termos de atos mas em termos de como os personagens estão se sentindo e suas motivações. Recomendo também, ótimo filme!

Aqui segue o primeiro capitulo do livro para dar água na boca de vocês:

Quando penso em minha esposa, penso sempre em sua cabeça. No formato dela, para começar. Na primeira vez em que a vi, foi a parte de trás da cabeça que eu vi, e havia algo adorável nela, em seus ângulos.

Como um reluzente grão de milho duro ou um fóssil no leito de um rio. Era o que os vitorianos chamariam de uma cabeça belamente formada. Dava para imaginar o crânio com bastante facilidade.

Eu reconheceria sua cabeça em qualquer lugar.

E o que havia dentro dela. Também penso nisso: sua mente. Seu cérebro, todas aquelas espirais, e seus pensamentos disparando por essas espirais como centopeias rápidas e frenéticas. Como uma criança, eu me imagino abrindo seu crânio, desenrolando seu cérebro e vasculhando- -o, tentando capturar e fixar com alfinete seus pensamentos. No que você está pensando, Amy? A pergunta que eu fiz com maior frequência durante nosso casamento, embora não em voz alta, não à pessoa que poderia responder. Suponho que essas indagações pairem como nuvens negras acima de todos os casamentos: No que você está pensando?

Como está se sentindo? Quem é você? O que fizemos um ao outro? O que iremos fazer?

Meus olhos se abriram exatamente às seis da manhã. Não houve bater de cílios como asas, nenhuma piscadela suave em direção à consciência.

O despertar foi mecânico. Um assustador abrir de pálpebras de boneco de ventríloquo: o mundo é negro, e então, hora do show! 6-0-0, dizia o relógio — na minha cara, a primeira coisa que vi. 6-0-0. Foi uma sensa- ção diferente. Raras vezes acordei em um horário tão redondo. Sou um homem de levantares quebrados: 8h43, 11h51, 9h26. Minha vida não tinha alarmes.

Naquele exato momento, 6-0-0, o sol se ergueu acima da silhueta dos carvalhos, revelando todo o deus raivoso de verão que havia nele.

Seu reflexo cruzou o rio na direção de nossa casa, um comprido dedo apontado para mim através das leves cortinas do nosso quarto.

Acusando:

Você foi visto. Você será visto.

Fiquei enrolando na cama, que era nossa cama de Nova York em nossa casa nova, que ainda chamávamos de casa nova, embora já estivéssemos de volta havia dois anos. É uma casa alugada bem na beira do rio Mississippi, uma casa que grita Novo-Rico Suburbano, o tipo de lugar a que eu aspirava quando criança, lá do meu lado da cidade com casas com andares em diferentes níveis e carpetes felpudos. O tipo de casa que é de imediato familiar. Uma casa genericamente imponente e nada desafiadora, nova, nova, a nova casa que minha esposa iria detestar — e detestou.

“Devo deixar minha alma do lado de fora antes de entrar?” Foi sua primeira frase ao chegar. Tínhamos um acordo: Amy exigiu que alugássemos em vez de comprar um imóvel em minha pequena cidade natal em Missouri, com sua firme esperança de que não ficássemos presos aqui por muito tempo. Mas as únicas casas para alugar estavam reunidas naquele condomínio falido: uma cidade-fantasma em miniatura composta por mansões detonadas pela recessão, com preço reduzido, de propriedade dos bancos. Um bairro que foi fechado antes mesmo de abrir. Era um acordo, mas Amy não via aquilo assim, de modo algum.

Para ela, era um capricho punitivo de minha parte, um egoísta dedo na ferida. Eu a estava arrastando, como um homem das cavernas, para uma cidade que ela evitara agressivamente, e a obrigaria a viver no tipo de casa da qual costumava debochar. Suponho que não seja um acordo se apenas um dos dois vê dessa forma, mas nossos acordos eram sempre assim. Um de nós sempre estava com raiva. Normalmente Amy.

Não me culpe por essa injustiça específica, Amy. A Injustiça do Missouri.

Culpe a economia, culpe o azar, culpe meus pais, culpe seus pais, culpe a internet, culpe as pessoas que usam a internet. Eu era escritor.

Um escritor que escrevia sobre TV, filmes e livros. Na época em que as pessoas liam coisas em papel, na época em que alguém se importava com que o eu pensava. Eu chegara a Nova York no final dos anos noventa, o último suspiro dos dias de glória, embora ninguém soubesse disso naquele tempo. Nova York estava abarrotada de escritores, escritores de verdade, porque havia revistas, revistas de verdade, muitas delas. Isso quando a internet ainda era um animalzinho exótico mantido na periferia do mundo editorial — jogue um biscoitinho para ele, veja como dança com sua coleirinha, ah, que bonitinho, ele decididamente não vai nos matar no meio da noite. Pense só nisto: uma época em que garotos recém-formados podiam ir para Nova York e ser pagos para escrever. Não tínhamos ideia de que estávamos iniciando carreiras que desapareceriam em uma década.

Eu tive um emprego durante onze anos, e então deixei de ter, rápido assim. Por todo o país, revistas começaram a fechar, sucumbindo a uma súbita infecção produzida pela economia detonada. Os escritores (meu tipo de escritores: aspirantes a romancistas, pensadores reflexivos, pessoas cujos cérebros não funcionam rápido o bastante para blogar, linkar e tuitar, basicamente falastrões velhos e teimosos) já eram. Assim como chapeleiros femininos ou fabricantes de chibatas, nosso tempo chegara ao fim. Três semanas após eu ter sido demitido, Amy perdeu o emprego também, se é que era um emprego. (Agora posso sentir Amy olhando por sobre meu ombro, sorrindo com ironia do tempo que eu passei discutindo minha carreira, meu infortúnio, e de como descartei sua experiência em uma frase. Isso, ela lhe diria, é típico. A cara do Nick, ela diria.

Era um bordão dela: A cara do Nick fazer… e o que quer se seguisse, o que quer fosse a minha cara era ruim.) Dois adultos desempregados, passamos semanas vagando por nossa casa no Brooklyn de meias e pijamas, ignorando o futuro, espalhando correspondência não aberta por mesas e sofás, tomando sorvete às dez da manhã e tirando longos cochilos vespertinos.

Então, um dia, o telefone tocou. Era minha irmã gêmea na linha.

Margo voltara para nossa cidade natal após a própria demissão em Nova York um ano antes — a garota está um passo à frente de mim em tudo, até na falta de sorte. Era Margo, ligando da boa e velha North Carthage, Missouri, da casa onde crescemos, e enquanto eu escutava sua voz, eu a vi aos dez anos, com uma cabeleira escura e vestindo macaquinho, sentada no cais dos fundos da casa dos nossos avós, seu corpo curvado como um travesseiro velho, suas pernas magricelas balançando na água, olhando o rio correr sobre pés brancos como peixes, muito concentrada, sempre incrivelmente contida, mesmo quando criança.

A voz de Go era calorosa e rascante mesmo para dar esta notícia desagradável: nossa indômita mãe estava morrendo. Nosso pai já estava quase lá — sua mente (cruel), seu coração (miserável), ambos funestos enquanto ele vagava rumo ao grande cinza do além. Mas parecia que nossa mãe ia partir antes dele. Uns seis meses, talvez um ano, era o que lhe restava. Estava claro que Go fora encontrar o médico sozinha, fizera anotações detalhadas em sua caligrafia desleixada e estava lacrimosa enquanto tentava decifrar o que havia escrito. Datas e doses.

— Ah, merda, não tenho ideia do que é isso. Um nove? Faria sentido? — disse ela, e eu interrompi.

Ali estava uma tarefa, um objetivo, apresentado na palma da mão de minha irmã como uma ameixa. Quase chorei de alívio.

— Eu vou voltar, Go. Vou voltar para casa. Você não deve fazer tudo isso sozinha.

Ela não acreditou em mim. Eu podia ouvi-la respirando do outro lado da linha.

— Estou falando sério, Go. Por que não? Não há nada aqui. Um suspiro longo.

— E Amy?

Eu não havia parado para pensar nisso. Simplesmente supus que poderia embrulhar minha esposa nova-iorquina com seus interesses nova-iorquinos, seu orgulho nova-iorquino, afastá-la de seus pais nova- -iorquinos — deixar para trás a frenética e excitante terra do futuro que é Manhattan — e transplantá-la para uma cidadezinha junto ao rio em Missouri, e tudo ficaria bem.

Eu ainda não havia entendido quão tolo, quão otimista, quão, sim, a cara do Nick era pensar isso. A infelicidade a que isso iria levar.

— Amy ficará bem. Amy…

Era nesse ponto que eu deveria ter dito “Amy ama a mamãe”. Mas eu não podia dizer a Go que Amy amava nossa mãe, porque depois de todo aquele tempo Amy ainda mal conhecia nossa mãe. Os poucos encontros haviam deixado ambas perplexas. Amy passava os dias seguintes dissecando as conversas — “E o que ela quis dizer com…” —, como se minha mãe fosse alguma antiga camponesa tribal chegando da tundra com uma braçada de carne de iaque crua e alguns botões para fazer escambo, tentando conseguir de Amy algo que não estava sendo oferecido.

Amy não fez questão de conhecer minha família, não quis visitar o lugar onde eu nascera e ainda assim, por alguma razão, achei que voltar a morar na minha cidade seria uma boa ideia.

Meu hálito matinal esquentou o travesseiro, e eu mudei o assunto na minha mente. Hoje não era dia de se arrepender ou de se lamentar, era dia de fazer. Dava para ouvir, vindo do térreo, a volta de um som havia muito perdido: Amy preparando o café da manhã. Batendo armários de madeira (rump-tump!), chacoalhando recipientes de lata e vidro (ging-ring!), arrastando e escolhendo uma coleção de potes de metal e panelas de ferro (rush-shush!). Uma orquestra culinária se afinando, tilintando vigorosamente rumo ao desfecho, uma forma de bolo rolando pelo piso, batendo na parede com um som de címbalos. Algo impressionante estava sendo criado, provavelmente um crepe, porque crepes são especiais, e hoje Amy iria querer preparar algo especial.

Estávamos fazendo cinco anos de casados.

Fui descalço até a beira da escada e fiquei escutando, brincando com os dedos dos pés no grosso carpete que ia de parede a parede e que Amy detestava por princípio, enquanto tentava decidir se estava pronto para me juntar à minha esposa. Amy estava na cozinha, alheia à minha hesitação. Cantarolava algo melancólico e familiar. Eu me esforcei para descobrir o que era — uma canção folclórica? uma cantiga de ninar? — e então me dei conta de que era a música tema de M*A*S*H. Suicídio é indolor. Desci as escadas.

Fiquei parado na soleira da porta, observando minha esposa. Seus cabelos amarelo-manteiga estavam presos, o rabo de cavalo balançando alegremente como uma corda de pular, e ela chupava distraída a ponta de um dedo queimado, cantarolando. Ela cantarolava para si mesma porque era uma destruidora de letras sem igual. Quando estávamos começando a namorar, uma canção do Genesis tocou no rádio: “She seems to have an invisible touch, yeah”. E em vez disso Amy cantou: “She takes my hat and puts it on the top shelf”. Quando perguntei a ela por que achava que suas letras eram remota, possível, vagamente corretas, ela me disse que sempre achara que a mulher na canção realmente amava o homem porque ela colocava o chapéu dele na prateleira de cima. Eu então soube que gostava dela, gostava dela de verdade, daquela garota com uma explicação para tudo.

É um tanto perturbador recordar uma lembrança calorosa e sentir-se profundamente frio.

Amy espiou o crepe chiando na frigideira e lambeu algo do pulso.

Parecia triunfante, a típica mulher casada. Se eu a tomasse nos braços, sentiria cheiro de frutas vermelhas e açúcar de confeiteiro.

Quando ela me viu espiando de samba-canção velha, os cabelos totalmente em pé, se apoiou no balcão da cozinha e disse:

— Olá, bonitão.

Bile e medo tomaram minha garganta. Pensei comigo mesmo: Certo, vá em frente.

Eu estava muito atrasado para o trabalho. Minha irmã e eu havíamos feito uma coisa tola quando voltamos para a casa dos nossos pais.

Fizemos o que sempre falávamos que queríamos fazer. Abrimos um bar.

Pegamos dinheiro emprestado com Amy para isso, oitenta mil dólares, algo que um dia não fora nada para ela, mas que na época era quase tudo. Jurei que devolveria, com juros. Eu não ia ser um homem que pegava dinheiro emprestado com a esposa — podia sentir meu pai fazendo uma careta apenas com a menção da ideia. Bem, há todo tipo de homem, era sua frase mais condenatória, a segunda metade não dita: e você é o tipo errado.

Mas na verdade era uma decisão prática, uma jogada comercial inteligente.

Amy e eu precisávamos de carreiras novas; aquela seria a minha.

Ela escolheria uma algum dia, ou não, mas, enquanto isso, aquilo produziria uma renda, possibilitada pelo resto do pecúlio de Amy. Assim como a ridícula casa que eu alugara, o bar aparecia simbolicamente em minhas lembranças de infância — um lugar aonde apenas adultos iam, fazer o que quer que fosse que adultos faziam. Talvez por isso eu tenha insistido tanto em comprá-lo após ter sido privado de meu ganha-pão.

Era um lembrete de que eu era um adulto, afinal, um homem crescido, um ser humano útil, embora tivesse perdido a carreira que havia me tornado todas essas coisas. Eu não iria cometer aquele erro novamente: os rebanhos antes vigorosos de jornalistas de revistas continuariam a ser abatidos — pela internet, pela recessão, pelo público americano, que preferia assistir à TV, jogar video games ou informar eletronicamente aos amigos que, tipo, chuva é uma droga! Mas não havia aplicativo para uma onda de bourbon em um dia quente, em um bar fresco e escuro.

O mundo sempre vai querer uma bebida.

Nosso bar é um bar de esquina com uma estética de colcha de retalhos.

Seu melhor elemento é um enorme balcão vitoriano ao fundo, cabeças de dragão e rostos de anjos brotando do carvalho — um extravagante trabalho em madeira nesses dias de plástico vagabundo. O restante do bar é, de fato, vagabundo, uma exibição das mais pobres ofertas do design de todas as décadas: um piso de linóleo da época de Eisenhower, as beiradas viradas para cima como uma torrada queimada; paredes com um dúbio revestimento de madeira saído diretamente de um vídeo pornô amador dos anos setenta; luminárias de piso com lâmpada halógena, um tributo acidental ao meu quarto de alojamento dos anos noventa. O efeito final é estranhamente acolhedor — parece menos um bar do que a casa bondosamente decadente de alguém. E jovial: dividimos um estacionamento com o boliche local, e quando nossas portas se abrem, o barulho de strikes aplaude a entrada do cliente.

Chamamos o bar de O Bar. “As pessoas vão pensar que somos irônicos em vez de criativamente falidos”, raciocinou minha irmã.

Sim, achamos que estávamos sendo espertos à maneira dos nova-iorquinos — que o nome era uma piada que ninguém mais iria realmente sacar, não como nós. Não meta-sacar. Imaginamos os locais torcendo os narizes: por que vocês o chamaram de O Bar? Mas nossa primeira cliente, uma mulher de cabelos grisalhos, com bifocais e um agasalho de ginástica cor-de-rosa, disse: “Gostei do nome. Como em Bonequinha de luxo, em que gato de Audrey Hepburn se chama Gato.”

Nós nos sentimos muito menos superiores depois disso, o que foi bom.

Entrei no estacionamento. Esperei que um strike soasse na pista de boliche — obrigado, obrigado, amigos — e então saí do carro. Admirei as redondezas, ainda não entediado com aquela visão: a atarracada agência dos correios de tijolos claros do outro lado da rua (agora fechada aos sábados), o prédio de escritórios bege despretensioso um pouco abaixo (agora fechado, ponto). A cidade não era próspera, não mais, nem de longe. Que diabo, ela não era sequer original, sendo uma de duas Carthage, Missouri — a nossa é tecnicamente a Carthage do Norte, o que dá a impressão de que são cidades gêmeas, embora a nossa fique a centenas de quilômetros da outra e seja a menor das duas: uma pitoresca cidadezinha dos anos cinquenta que inchara até se tornar um subúrbio básico de porte médio e apelidara isso de progresso. Ainda assim, era onde minha mãe crescera e onde ela criara Go e a mim, de modo que tinha alguma história. A minha, pelo menos.

Enquanto eu caminhava na direção do bar, atravessando o estacionamento de concreto e ervas daninhas, olhei para o final da rua e vi o rio. É o que eu sempre adorei em nossa cidade: não havíamos sido construídos em um promontório seguro debruçado sobre o Mississippi — estávamos no Mississippi. Eu podia descer a rua e entrar diretamente nele, uma queda fácil de menos de um metro, e estaria a caminho do Tennessee. Todos os prédios do centro da cidade têm linhas riscadas à mão no ponto a que o rio chegou nas inundações de 61, 75, 84, 93, 2007, 2008, 2011. E assim por diante.

O rio não estava cheio agora, mas corria com urgência, em fortes e viscosas correntes. Movendo-se no mesmo ritmo que o rio, uma comprida fila indiana de homens, os olhos voltados para os pés, ombros tensos, caminhava resolutamente para lugar nenhum. Enquanto eu os observava, um deles de repente ergueu os olhos para mim, seu rosto na sombra, uma escuridão oval. Desviei o olhar.

Senti uma imediata e intensa necessidade de entrar. Depois de andar seis metros, meu pescoço borbulhava de suor. O sol ainda era um olho raivoso no céu. Você foi visto.

Minhas entranhas se contorceram e eu me apressei. Precisava de uma bebida.

 

 

 

Beijos

Resenha: Em Busca de Sentido – livro

Livro: Man’s Search for Meaning (Em busca de sentido – titulo da edição brasileira)

Autor: Viktor E. Frankl

Editora: Beacon Press (MA)

 

Oi pessoal,

 

Hoje queria falar com vocês de um livro que é um pouco diferente do estilo de livros que estamos acostumados a fazer resenha aqui no blog. Man’s search for meaning não é uma ficção, na realidade é um livro de psicologia que pode mudar sua visão do mundo.

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Viktor Frankl é um psiquiatra judeu que foi preso e sobreviveu a 4 campos de concentração diferentes durante a segunda guerra mundial, entre eles Auschwitz. No livro ele conta suas experiências nos campos do ponto de vista da psicologia, e tenta responder como o dia a dia de um campo de concentração se reflete na mente de um prisioneiro comum, o que faz o homem querer viver mesmo em condições horríveis como aquelas e sem nenhuma perspectiva de um futuro melhor, ou até de um futuro, já que a vida deles não valia quase nada para os nazistas e poderia ser tirada a qualquer momento.

O que dá sentido na vida do homem? O homem é 100% influenciado pelo meio ou existe uma outra alternativa?

A primeira parte do livro é inteira voltada para as experiências vividas por Frankl, por analises psicológicas de comportamentos comuns e incomuns nos campos e por questões filosóficas que vão chegar até o leitor também que pode se perguntar qual o sentido da sua própria vida.

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Na segunda parte do livro Frankl introduz ideias sobre o significado da vida e da sua teoria de Logoterapia, que é uma terapia voltada a fazer a pessoa procurar por um sentindo, aceitando assim a si mesma e tentar melhorar como ser humano.

É um livro interessantíssimo, pode ser cansativo devido a seu denso conteúdo, porém vale a pena ler e refletir.

O livro foi considerado um dos dez livros mais influentes nos Estados Unidos, e na época da morte do autor em 1997, já havia sido vendido mais de 10 milhões de copias e traduzido para 24 línguas diferentes. É um livro que recomendo muito para quem quer ler algo diferente e que pode ser significativo para sua vida.

Aproveito para agradecer a indicação do livro e queria saber de vocês se querem mais resenhas de outros tipos de livro ou ficção como já vínhamos fazendo.

 

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Deixa seu comentário!

 

Beijos até a próxima.

 

 

Maze Runner – A cura mortal

Livro: Maze Runner – A cura mortal

Autor: James Dashner

Editora: V&R

 

Eai galera!

Acabei de terminar o terceiro livro da coleção Maze Runner e já decidi fazer a resenha uma vez que está tudo muito fresco. Este livro dá um desfecho para história de Thomas e seus amigos contra o CRUEL. Sabemos que este não é o último livro da coleção, pois ainda temos “A ordem de extermínio”, mas esse último se passa muito antes do labirinto e conta uma história com personagens totalmente diferentes.

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A história do terceiro livro começa exatamente no lugar onde paramos no segundo. Thomas, alguns clareanos e alguns integrantes do Grupo B conseguiram sobreviver ao experimento no deserto e são levados novamente ao complexo do CRUEL. Eles são informados que são imunes à doença Fulgor e por isso estão sendo testados. Os poucos que sobreviveram não querem mais de forma alguma participar de novos experimentos que o CRUEL venha a organizar, e estão dispostos a realizar uma rebelião e fugir do lugar caso se sintam novamente ameaçados.

A organização alega para eles que os experimentos estão finalizados e que eles estão muito próximos da cura para o Fulgor, mas precisam estudar antes apenas um último comportamento dos indivíduos teste. Eles querem analisar a forma como os indivíduos responderão ao saberem de toda a verdade – isto é, terem suas memórias recuperadas – e prometem então contar toda a verdade para os indivíduos.

Com medo de ser mais um experimento e de que o CRUEL insira memórias artificiais nas suas cabeças, os indivíduos fogem do complexo com a ajuda de alguns infiltrados no CRUEL.

É a partir dai que os leitores passam a entender em maiores detalhes o que aconteceu com a humanidade. Os fugitivos são levados a uma cidade que conseguiu sobreviver aos clarões solares e ao Fulgor e lá eles observam todas as novas medidas adotadas para conter a doença e o clima. A cidade toda fica cercada por um muro e interna a uma redoma. O muro isola a entrada de possíveis contaminados e a redoma mantém o clima mais ameno para os habitantes da cidade. Testes da doença são feito com frequência nas pessoas, e se algum contaminado é encontrado, ele é retirado da cidade.

Esses contaminados são levados a um complexo habitacional (chamado Palácio dos Cranks) onde eles viverão pelo resto da vida, até a doença levá-los à insanidade total.

O caos reina sobre resto do que existe da raça humana. É nesse cenário que surgem os seguintes questionamentos: até que ponto o CRUEL pode chegar para encontrar essa cura para a doença? Será que todas as mortes que a instituição causou e pretende causar valerá a pena se essa cura for encontrada? O fim que eles procuram justificam todos os meios adotados? Afinal, o CRUEL é bom ou não?

Thomas, os clareanos e o Grupo B também se questionam sobre a importância de suas participações nos experimentos. Até onde devem sofrer e entregar suas vidas para salvar a humanidade?

Dos três livros da coleção Maze Runner que li até agora, este foi o que menos me empolgou. A narração dele também é simples e rápida, assim como nos dois primeiros, mas os acontecimentos presentes nesse terceiro livram não são tão cativantes. Não temos tanta ação quanto nos dois primeiros.

Acredito que todas as questões que surgiram ao longo da coleção são respondidas nesse livro, mas o desfecha não chega a ser algo grandioso e absoluto. Um suspense ainda é deixado no ar, mas não acredito que Dashner irá dar alguma continuação à saga e também não acho isso necessário.

Apesar de não ter sido o meu favorito da coleção, ainda acho o livro muito bom e vale a pena ler (principalmente para os que já começaram a coleção e querem um desfecho).

Em termos de coleção, recomendo fortemente Maze Runner. Agora que acabei a trilogia, posso avaliá-la como um todo. Só tenho coisas boas a dizer sobre ela – o que provavelmente já transpareceu nas resenhas – e acho que é uma coleção que não pode ficar de fora na lista de livros de todos os leitores. Fazia muito tempo que eu não me empolgava com livros igual me empolguei com Maze Runner.

É isso ai galera, agora a busca por novos livros/coleções começa. Aceito sugestões.

Maze Runner – Prova de Fogo

Livro: Maze Runner – Prova de Fogo

Autor: James Dashner

Editora: V&R

Eai galera, tudo bem?

Ontem terminei de ler o segundo livro da coleção Maze Runner. QUE LIVRO. Terminei na madrugada e já peguei “Cura Mortal” para começar a ler. Não dá pra parar. Só complementando o que foi dito na resenha do “Correr ou Morrer”, a coleção é composta por 4 livros, mas na verdade o último (“A ordem de extermínio”) é um livro adicional à trilogia e ele se passa antes do Labirinto.

Bom, para aqueles que ainda não leram o primeiro livro, não recomendo continuar a ler a resenha, pois esta conterá alguns spoilers de “Correr ou Morrer”.

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A história do segundo livro começa exatamente onde o primeiro termina. Os clareanos finalmente conseguiram sair do labirinto e acreditam que estão livres do CRUEL e salvos. Eles ainda não sabem muito do que se passou com eles, apenas que fizeram parte de um experimento organizado pelo CRUEL para identificar padrões cerebrais nos envolvidos. Supostamente, o objetivo do experimento foi encontrar candidatos aptos a exercerem um papel importante para a humanidade.

Isso mesmo, a humanidade está passando por sérios problemas e precisa de alguma salvação (e não é que se trata de uma distopia!). Há alguns anos atrás terríveis explosões solares devastaram boa parte do planeta terra e transformou muito do que existia em desertos escaldantes. Junto com essas explosões, um vírus se disseminou entre a população, o qual recebeu o nome de Fulgor. Esse vírus deteriora o hospedeiro a ponto de levá-lo à insanidade.

Com muitos dos países destruídos, os governos remanescentes se juntaram e criaram o CRUEL: “Catástrofe e Ruína Universal: Experimento Letal”. Essa instituição recebeu um grande investimento para fomentar suas pesquisas que aparentemente salvarão a humanidade. Digo aparentemente pois esta é a impressão que tive até onde já li da coleção. Ainda há muitos questionamentos pendentes.

É isto mesmo. O labirinto foi um experimento organizado pelo CRUEL. Os clareanos, insatisfeitos com a brutalidade do experimento – o qual matou quase metade dos integrantes do grupo – se sentem finalmente salvos ao serem resgatados das mãos do CRUEL.

Essa sensação dura pouco, pois logo eles descobrem que o resgate foi uma farsa e eles terão que participar de uma segunda rodada de experimentos. Este segundo experimento consiste em atravessar 150 km de uma terra devastada pelas explosões solares. Apesar de parecer simples, muitos desafios aparecerão no meio do caminho.

Outra surpresa para os clereanos (e aqui não considero spoiler pois isso ocorre logo no começo do livro) é que eles descobrem que não são o único grupo teste. Isso mesmo, existe outro grupo que está passando pelos mesmos experimentos que os clareanos. A única diferença é que é um grupo inteiramente formado por mulheres e um único homem – Aris, o qual é paralelo à Teresa, se compararmos os dois grupos. Esse fato me empolgou bastante e fez com que a vontade de ler aumentasse ainda mais. A participação do grupo B é pequena ao longo do livro. Elas efetivamente aparecem apenas no final.

Um ponto legal a se destacar é a diferença dos dois experimentos. No labirinto os clareanos tinham os suprimentos que precisavam e condições de sobrevivência boa, mas estavam enclausurados e precisavam procurar de forma organizada e racional por uma saída. Para o experimento de travessia do deserto, pouco suprimento é fornecido ao grupo e as condições de sobrevivência são terríveis, mas o alvo e objetivo deles é muito claro. Essa diferença entre os experimentos ilustra o fato de o CRUEL estar testando diferentes “Variáveis” sobre os candidatos para “determinar seus padrões cerebrais”.

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Os enigmas presente no livro ainda são inúmeros. Continuamos a ver as coisas sobre a perspectiva de Thomas, então entendemos das coisas conforme ele entende. Algumas memórias vão voltando aos poucos para Thomas, só que não sabemos se isso é efeito da transformação ou o próprio CRUEL está causando esses flashbacks por algum motivo.

A leitura do livro continua simples e rápida, repleta de ação e cenas impressionantes. Li bem rápido, mesmo estando lendo mais dois outros livros, e acho que não irá demorar muito para eu terminar “A Cura Mortal”. Espero que James Dashner não deixe a barra cair no último livro.

Só para lembrar, filme do Maze Runner estreia dia 18 de setembro nos cinemas!

Maze Runner – Correr ou Morrer

Livro: Maze Runner – Correr ou Morrer

Autor: James Dashner

Editora: V&R

 

Eai galera, tudo bem?

Hoje vou falar sobre o primeiro livro de uma coleção que vem me empolgando muito nos últimos dias. A coleção é Maze Runner e ela é composta por 4 livros: “Correr ou Morrer”, “Prova de fogo”,  “A cura mortal” e “Ordem de extermínio”. Estou na metade de “Prova de fogo” agora e a vontade de continuar lendo desesperadamente não diminui.

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Fiquei sabendo desta série através do trailer que já está sendo exibido nos cinemas. O trailer me chamou tanta atenção que escrevi o nome da série nas notas do meu celular e, assim que saí do filme que estava vendo, corri para a livraria para descobrir mais sobre Maze Runner. Abaixo está o trailer, para quem se interessar:

 Vamos então ao livro. A história do primeiro livro se passa em um cenário totalmente novo para o personagem principal. Logo, os leitores começam a entender mais desse mundo de “Maze Runner” conforme o personagem vai se ambientando. O livro é repleto de mistérios e enigmas, e ele tem início com o protagonista – Thomas – acordando em um elevador escuro e em movimento sem se lembrar de nada do seu passado. O elevador se abre para uma clareira, onde diversos garotos vivem segundo uma sociedade estruturada por eles mesmos e que chegaram até aquela clareira da mesma forma que Thomas: através do elevador e sem lembrança nenhuma do passado. Uma vez por mês um novo garoto é encaminhado à clareira através do elevador e sempre na mesma situação.

O grande mistério do livro (o qual dá o nome da série) é o Labirinto (Maze em inglês). A clareira está localizada no centro de um labirinto e separada deste por 4 portões. Ao amanhecer, esses 4 portões são abertos e, ao anoitecer, fechados. Nenhum clareano (nome dado aos garotos que vivem na clareira) pode ficar trancado dentro do labirinto quando os portões se fecharem (a menos que não se importemcom uma morte trágica), pois criaturas habitam esse labirinto durante a noite.

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A situação na clareira muda e se torna mais confusa quando, logo em seguida à chegada de Thomas, uma garota é encaminhada à clareira. A partir daí, o caos reina no lugar.

Os enigmas presente no livro são inúmeros – Como funciona o labirinto? Quem os colocou naquela situação? Porque nenhum garoto se lembra de nada que ocorreu antes do labirinto? Há realmente uma saída? O que essa garota tem de diferente? – e eles vão prendendo o leitor ao longo de todo o livro. Além disso, quando você imagina estar entendendo alguma coisa, outra totalmente inexplicável acontece e causa um giro na cabeça do leitor.

 

A leitura do livro é bem simples e rápida, repleta de ação e cenas impressionantes. A narração é feita em primeira pessoa e nós – leitores – sabemos sempre o que se passa na cabeça de Thomas.

O fim do livro é muito bom, mas inúmeras questões continuam sem respostas. Provavelmente serão esclarecidas nos próximos livros.

A história não se parece com nenhuma outra que eu já tenha lido. Ela é muito original e muito bem escrita. Realmente espero que os próximos livros continuem a surpreender, assim como o primeiro. Posso dizer que Maze Runner – Correr ou Morrer passou a integrar a minha lista de livros preferidos (obviamente ainda atrás de Harry Potter, mas disputando lugar com Jogos Vorazes).

A única crítica que tenho a fazer ao livro é referente a uma parte que o autor acrescentou um ponto meio “sobrenatural” à história. Obviamente a história toda é muito doida e absurda, mas acho que este ponto a mais que o autor adicionou não fez muito sentido. Não entrarei mais em detalhes para não cometer spoilers, mas acredito que, quando vocês lerem o livro, entenderão o que quis dizer aqui.

Espero que leiam e que gostem. O filme será lançado dia 18 de setembro no Brasil!

Resenha: Cartas de um diabo a seu aprendiz – Livro

Livro: Cartas de um diabo a seu aprendiz

Autor: C. S. Lewis

Editora: WMF Martins Fontes

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“Querido Vermebile,”

Cartas de um diabo a seu aprendiz é um livro contado pelo ponto de vista do diabo Fitafuso que em forma de cartas aconselha seu sobrinho Vermebile a como conseguir fazer um humano cair em tentação, é claramente uma maneira irônica de fazer diversas criticas a sociedade e a religião da época. O livro se passa durante a segunda guerra mundial, Vermebile é um diabo que acabou de se formar na Faculdade de Treinamento de Tentadores e está em sua primeira missão de tentar conseguir a alma de um humano, seu “paciente” como é chamado no livro é um homem jovem de classe média que leva uma vida comum, como qualquer outro jovem inglês da época. Não é possível se saber com precisão no livro qual o conteúdo das cartas que Vermebile manda para seu tio, temos somente as cartas de resposta de Fitafuso, onde ele fala resumidamente sobre a carta que recebeu e da dicas a seu sobrinho de como prosseguir.

Fitafuso fala muito sobre Deus (ou o Inimigo como é chamado no livro), sobre como os humanos pensam e quais as principais tentações em que caem. Apesar de ser um livro antigo é possível identificar muita coisa do que é descrito com a sociedade atual e ver o quão atual ainda são as criticas de Lewis.

Clive Staples Lewis foi um  professor universitário, teólogo anglicano, poeta e escritor britânico, é mais conhecido por ter escrito os livros da coleção “As crônicas de Nárnia”(livro que ainda não tive oportunidade de ler mas já está na minha lista), pelo que pude ver pelos filmes, “As crônicas de Nárnia” também tem, de uma maneira mais sutil, um forte teor religioso, notei isso principalmente no último filme onde se tem o mundo de Aislan e vou parar por aqui para não dar spoiler para quem ainda não viu o filme. O teor religioso parece ser um traço nos livros de Lewis, mas não de uma maneira em que se pensa: “estou lendo um livro sobre religião”, ele consegue trazer os temas do cristianismo de uma maneira irreverente, que te faz pensar sobre o assunto e te diverte ao mesmo tempo.

Não me considero uma pessoa muito religiosa e nem tenho o costume de ler sobre o assunto, mas o livro Cartas de um diabo a seu aprendiz prendeu minha atenção e me fez refletir bastante sobre o tema e principalmente sobre diversas atitudes que tomo e porque as tomo. É um livro mais cansativo por esse motivo, por te fazer refletir sobre diversos temas da sociedade e como você se encaixa e se posiciona sobre eles, mas apesar dessa “densidade” não deixa de ser um livro divertido e as avessas, pois Fitafuso defende totalmente o Inferno e a infelicidade das pessoas.

Um fato interessante é que este livro foi dedicado ao amigo de Lewis, com cara pouco conhecido chamado J. R. R. Tolkien.(Para quem não sabe, o autor de: O senhor dos Anéis, O hobbit, entre outros) e esse na verdade foi um dos principais motivos para eu ter me arriscado a ler. Eu acho o Tolkien um cara fantástico e imaginei que para Lewis que era um amigo ter dedicado esse livro a ele valia a pena ser lido e não estava errada.

Recomendo o livro para quem quiser ler algo divertido mas ao mesmo tempo critico (como é o caso do ” O guia do mochileiro das galáxias”), para quem esta procurando uma leitura somente para relaxar talvez esse não seja o livro certo. Pensei em entrar mais a fundo e discutir alguns dos temas que são levantados no livro mas vou deixar essa para vocês refletirem.

Acho que por hoje é só! Até a próxima e boa leitura.

 

 

 

 

Resenha: Querido John, de Nicholas Sparks

Olá, pessoal!

Tudo bem? 

Hoje vou contar pra vocês um pouquinho de como foi essa nova experiência lendo Nicholas Sparks. Eu sempre ouvi comentários do tipo “Nicholas Sparks é muito meloso, eca!” ou “Você não deveria ler, não tem nada demais, é uma história boba e irreal.” 

Bom, pelo que vocês perceberam, eu resolvi desafiar essa opinião de que não deveria ler. Por quê? Primeiramente, porque eu queria ler um livro em alemão que tivesse um vocabulário bem cotidiano, sendo, portanto, mais fácil para ler. E também porque queria me aventurar nessa linha dos romances, que até então, conheci bem pouco!

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O título em alemão é Das Leuchten der Stille, que, traduzindo ao pé da letra para o português brasileiro, significaria “o brilho do silêncio”, o qual é explicado apenas na última página do livro! Então, não posso dizer muito mais que isso, né?

Mas o livro foi escrito em inglês, e seu nome original é Dear John, o que torna a tradução pro português, Querido John, bem fiel! O nome do livro vem do fato de que as personagens principais se comunicam por cartas, e a maior parte delas se inicia com a expressão “Dear John…“.

O romance conta, em suas 400 páginas, a história de John Tyree, que, após ter sido um adolescente rebelde, decide se tornar soldado, tendo seu comportamento transviado corrigido pelo exército do Tio Sam. Durante suas férias, retorna à cidade onde foi criado para visitar seu pai, que vivia sozinho em uma casa com o estilo mais americano que se pode imaginar… A mãe o abandonou ainda quando pequeno, mas o pai jamais comentou algo sobre o assunto. 

Nesse tempo em que passa com seu pai, conhece na praia uma garota chamada Savannah Curtis, universitária totalmente certinha que não bebe, não fuma e ainda passa seu Spring Break construindo casas para uma família sem-teto. 

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Sim, pensando dessa forma, o livro de Nicholas Sparks é muito idealizado. Savannah é exatamente o que toda moça “deveria” ser, moralmente. E John não pode resistir… Acaba se apaixonando por ela, e eles têm duas semanas de um amor realmente intenso, saindo juntos todos os dias e se divertindo… Até que ele deve voltar para a Alemanha, para uma das bases do exército dos EUA. 

Ele promete ficar apenas um ano e voltar para Savannah, porém, um imprevisto ocorre exatamente quando ele poderia voltar para casa depois de servir ao seu país: o atentado de 11 de setembro de 2001. E aí, realmente, a história começa…

Dotado de extrema sensibilidade e habilidade de prender o leitor, Nicholas Sparks não tem a fama que tem a toa. Gostei bastante do livro, mas devo alertar àqueles que não são fãs de histórias idealizadas e, de certa forma, até inocentes que este livro não é para vocês. Já para quem é fã do gênero e de autoras como Cecilia Ahern, Nora Roberts ou Jojo Moyes, esse é um livro que vale a pena conferir!

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Em 2010, um filme sobre esse livro foi lançado contando com a atuação de Channing Tatum, como John, e Amanda Seyfried, como Savannah. Também gostei! Mas deve-se lembrar de que livro é livro e filme é filme… Os dois não tem muito a ver, tirando o núcleo básico da história! Pra quem é fã de filmes de romance e comédia romântica, achei uma boa pedida.

E aí, quem vai ler Querido John agora?