Battle Royale

Livro: Battle Royale

Autor: Koushun Tamaki

Editora: Globo

 

Olá galera, tudo bem?

Depois de muito tempo de espera, consegui ter em mãos o livro Battle Royale. O autor do livro o escreveu com o objetivo de conquistar o prêmio Grand Pix Horror Novel do Japão, o qual premia anualmente a melhor história de terror. Apesar de acostumados a histórias de terror, o livro deixou vários dos jurados alarmados com a história macabra apresentada em Battle Royale.

A história se passa em um Japão dominado por um regime totalitarista (intitulado como “República da Grande Ásia Oriental” no próprio livro) que não se importa em adotar medidas drásticas para manter a população subordinada. Uma dessas medidas adotadas é o “Programa”. Este “programa” ocorre aproximadamente uma vez por ano e o intuito dele é corrigir os jovens japoneses que perderam o respeito e a admiração pelo militarismo. Para isso, uma classe de aula do nono ano do ensino fundamental (alunos de 14 anos de idade) é escolhida de forma aleatória e levada a um local restrito onde todos são obrigados a lutar até que apenas um sobreviva.

Jovens forçados a lutar dentro de uma arena até restar apenas 1 sobrevivente…

Pois é, não é a primeira vez que vemos isso. Battle Royale e Jogos Vorazes sofreram inúmeras comparações e o segundo foi apontado como um plágio do primeiro. A autora Suzzane Collins já até declarou publicamente nunca ter ouvido falar de Battle Royale antes de ter publicado seu livro. Apesar de Battle Royale ser mais antigo, fiquei sabendo deste através de Jogos Vorazes. Na época (cerca de 3 anos atrás), o livro ainda não tinha sido traduzido para o português, porém a adaptação cinematográfica do mesmo já existia.

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Curti muito o filme (não apenas eu, como também Quentin Tarantino, o qual elegeu o filme como o melhor visto desde o início de sua carreira de cineasta) e esperei a tradução do livro desde então. Finalmente, qualquer um pode obter a edição em português desse livro fantástico.

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O enredo do livro é bem simples: 42 estudantes de uma mesma turma soltos em uma ilha e obrigados a matar uns aos outros. Para cada estudante um kit de sobrevivência é dado, no qual se encontra comida, bebida, mapas da ilha e uma arma aleatória (e que seja enfatizado essa aleatoriedade: há um estudante que ganha uma metralhadora e outro que ganha um picador de gelo como arma – não se enganem com o picador de gelo, ele causa uma morte).

A genialidade do livro está na forma como o autor narra toda a batalha que acontece na ilha. A narração é feita em terceira pessoa e boa parte dela gira em torno do personagem principal – Shuya Nanahara. Porém, toda vez que alguma batalha vai acontecer na ilha, o narrador muda o foco da sua narração e passa a descrever algum outro personagem que estará envolvido nessa batalha.

A descrição do narrador não é nem um pouco supérflua. Ele se aprofunda psicologicamente em todos os personagens que ele chega a descrever na ilha e o leitor é forçado a torcer por todos esses personagens (inclusive há uma parte do livro em que somos forçados a sentir pena de uma das maiores matadoras do “programa”). É nesta parte que Battle Royale e Jogos Vorazes se separam. Battle Royale explora extensivamente a batalha que está ocorrendo (afinal, as 664 páginas se destinam a ela), enquanto Jogos Vorazes a arena é apenas uma parte da história, há outras questões envolvidas ali no meio.

Como todos os participantes da arena são colegas de classe, alguns deles não levam o jogo a sério e acreditam que todos devem se unir para fugir da ilha. Porém, a matança começa logo cedo e diversos alunos impiedosos surgem nesse contexto. Confiar em alguém ou se aliar a um grupo pode resultar uma tragédia.

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Gostei muito do livro e recomendo a todos que leiam. A história te prende do começo ao fim e é muito bem construída (diferente do filme, o qual é um pouco confuso e deixa algumas pontas soltas). Porém, se tiver estomago fraco, não o leiam. Esse foi o primeiro livro que uma cena descrita me causou repulsa. Tive que colocar o livro de lado por um tempo para absorver o que foi dito. O filme, apesar de controverso e proibido por algum tempo, não exibe nem metade da violência relatada no livro.

Outro ponto que acho importante destacar é o fato do livro ter sido originalmente escrito em japonês, o que faz com que algumas coisas fiquem meio confusas. Essa confusão decorre em parte do nome dos personagens (para mim, todos se pareciam muito) e em parte devido às falhas na tradução. Um fato que ajuda bastante a se acostumar com os nomes é que o autor coloca ao lado do nome a posição do estudante na lista de chamada. Por exemplo, Shuya Nanahara (o estudante nº 15).

Espero que todos leiam e aproveitem essa edição fantástica elaborada pela editora Globo.

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