Resenha: Garota Exemplar (Gone Girl) – livro

Livro: Garota Exemplar (Gone Girl)

Autor: Gillian Flynn

Editora: Intrinseca

 

Olá a todos!

Como andam as leituras?

Hoje queria falar de um livro que está muito na moda ultimamente, principalmente pôs o filme impactante do diretor David Fincher que é inspirado no livro homônimo e que a atriz Rosamund Pike está concorrendo ao Oscar de melhor atriz.

Eu já tinha assistido ao filme quando o livro, e já estava apaixonada pelo filme, devo dizer que amei ainda mais o livro. A história é a respeito do desaparecimento de Amy Elliot Dunne, casada, moradora do interior, nascida e criada em Nova York e que inspirou na infância uma série famosa de livros chamado “Amy Exemplar” (Sacaram o nome do livro em português?). Amy desaparece no seu 5º aniversário de casamento com Nick Dunne, após seu desaparecimento, várias pistas começam a surgir a todo instante e tudo começa a incriminar Nick pela possível morte de sua esposa.

O livro alterna as perspectivas de Nick e do diário de Amy, é narrado em primeira pessoa mas não nos para de surpreender com novos fatos sobre os próprios personagens que só vão se revelando para o leitor ao longo do livro.

Esse é um livro excelente, eu nunca teria conseguido imaginar o final, nem no final do livro eu conseguiria visualizar no que aquilo iria dar (ok, eu conseguia porque já tinha visto o filme, mas não adivinharia, e não adivinhei vendo o filme), totalmente diferente de todos os romances policiais que já li. A autora da muita profundidade aos personagens, o que ajuda o leitor a entender o porquê das atitudes que eles tomam. Totalmente viciante, de leitura fácil e fluida, você vai acabar de ler antes de perceber que está acabando.

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Não quero falar mais a respeito desse livro porque estou com medo de dar spoilers, e esse é um ótimo livro pra se ler sem saber o que vai acontecer, é ótimo sabendo o que vai acontecer também. Super indico.

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A respeito do filme, é um ótimo filme mas tem um final um pouco diferente do livro, não tanto em termos de atos mas em termos de como os personagens estão se sentindo e suas motivações. Recomendo também, ótimo filme!

Aqui segue o primeiro capitulo do livro para dar água na boca de vocês:

Quando penso em minha esposa, penso sempre em sua cabeça. No formato dela, para começar. Na primeira vez em que a vi, foi a parte de trás da cabeça que eu vi, e havia algo adorável nela, em seus ângulos.

Como um reluzente grão de milho duro ou um fóssil no leito de um rio. Era o que os vitorianos chamariam de uma cabeça belamente formada. Dava para imaginar o crânio com bastante facilidade.

Eu reconheceria sua cabeça em qualquer lugar.

E o que havia dentro dela. Também penso nisso: sua mente. Seu cérebro, todas aquelas espirais, e seus pensamentos disparando por essas espirais como centopeias rápidas e frenéticas. Como uma criança, eu me imagino abrindo seu crânio, desenrolando seu cérebro e vasculhando- -o, tentando capturar e fixar com alfinete seus pensamentos. No que você está pensando, Amy? A pergunta que eu fiz com maior frequência durante nosso casamento, embora não em voz alta, não à pessoa que poderia responder. Suponho que essas indagações pairem como nuvens negras acima de todos os casamentos: No que você está pensando?

Como está se sentindo? Quem é você? O que fizemos um ao outro? O que iremos fazer?

Meus olhos se abriram exatamente às seis da manhã. Não houve bater de cílios como asas, nenhuma piscadela suave em direção à consciência.

O despertar foi mecânico. Um assustador abrir de pálpebras de boneco de ventríloquo: o mundo é negro, e então, hora do show! 6-0-0, dizia o relógio — na minha cara, a primeira coisa que vi. 6-0-0. Foi uma sensa- ção diferente. Raras vezes acordei em um horário tão redondo. Sou um homem de levantares quebrados: 8h43, 11h51, 9h26. Minha vida não tinha alarmes.

Naquele exato momento, 6-0-0, o sol se ergueu acima da silhueta dos carvalhos, revelando todo o deus raivoso de verão que havia nele.

Seu reflexo cruzou o rio na direção de nossa casa, um comprido dedo apontado para mim através das leves cortinas do nosso quarto.

Acusando:

Você foi visto. Você será visto.

Fiquei enrolando na cama, que era nossa cama de Nova York em nossa casa nova, que ainda chamávamos de casa nova, embora já estivéssemos de volta havia dois anos. É uma casa alugada bem na beira do rio Mississippi, uma casa que grita Novo-Rico Suburbano, o tipo de lugar a que eu aspirava quando criança, lá do meu lado da cidade com casas com andares em diferentes níveis e carpetes felpudos. O tipo de casa que é de imediato familiar. Uma casa genericamente imponente e nada desafiadora, nova, nova, a nova casa que minha esposa iria detestar — e detestou.

“Devo deixar minha alma do lado de fora antes de entrar?” Foi sua primeira frase ao chegar. Tínhamos um acordo: Amy exigiu que alugássemos em vez de comprar um imóvel em minha pequena cidade natal em Missouri, com sua firme esperança de que não ficássemos presos aqui por muito tempo. Mas as únicas casas para alugar estavam reunidas naquele condomínio falido: uma cidade-fantasma em miniatura composta por mansões detonadas pela recessão, com preço reduzido, de propriedade dos bancos. Um bairro que foi fechado antes mesmo de abrir. Era um acordo, mas Amy não via aquilo assim, de modo algum.

Para ela, era um capricho punitivo de minha parte, um egoísta dedo na ferida. Eu a estava arrastando, como um homem das cavernas, para uma cidade que ela evitara agressivamente, e a obrigaria a viver no tipo de casa da qual costumava debochar. Suponho que não seja um acordo se apenas um dos dois vê dessa forma, mas nossos acordos eram sempre assim. Um de nós sempre estava com raiva. Normalmente Amy.

Não me culpe por essa injustiça específica, Amy. A Injustiça do Missouri.

Culpe a economia, culpe o azar, culpe meus pais, culpe seus pais, culpe a internet, culpe as pessoas que usam a internet. Eu era escritor.

Um escritor que escrevia sobre TV, filmes e livros. Na época em que as pessoas liam coisas em papel, na época em que alguém se importava com que o eu pensava. Eu chegara a Nova York no final dos anos noventa, o último suspiro dos dias de glória, embora ninguém soubesse disso naquele tempo. Nova York estava abarrotada de escritores, escritores de verdade, porque havia revistas, revistas de verdade, muitas delas. Isso quando a internet ainda era um animalzinho exótico mantido na periferia do mundo editorial — jogue um biscoitinho para ele, veja como dança com sua coleirinha, ah, que bonitinho, ele decididamente não vai nos matar no meio da noite. Pense só nisto: uma época em que garotos recém-formados podiam ir para Nova York e ser pagos para escrever. Não tínhamos ideia de que estávamos iniciando carreiras que desapareceriam em uma década.

Eu tive um emprego durante onze anos, e então deixei de ter, rápido assim. Por todo o país, revistas começaram a fechar, sucumbindo a uma súbita infecção produzida pela economia detonada. Os escritores (meu tipo de escritores: aspirantes a romancistas, pensadores reflexivos, pessoas cujos cérebros não funcionam rápido o bastante para blogar, linkar e tuitar, basicamente falastrões velhos e teimosos) já eram. Assim como chapeleiros femininos ou fabricantes de chibatas, nosso tempo chegara ao fim. Três semanas após eu ter sido demitido, Amy perdeu o emprego também, se é que era um emprego. (Agora posso sentir Amy olhando por sobre meu ombro, sorrindo com ironia do tempo que eu passei discutindo minha carreira, meu infortúnio, e de como descartei sua experiência em uma frase. Isso, ela lhe diria, é típico. A cara do Nick, ela diria.

Era um bordão dela: A cara do Nick fazer… e o que quer se seguisse, o que quer fosse a minha cara era ruim.) Dois adultos desempregados, passamos semanas vagando por nossa casa no Brooklyn de meias e pijamas, ignorando o futuro, espalhando correspondência não aberta por mesas e sofás, tomando sorvete às dez da manhã e tirando longos cochilos vespertinos.

Então, um dia, o telefone tocou. Era minha irmã gêmea na linha.

Margo voltara para nossa cidade natal após a própria demissão em Nova York um ano antes — a garota está um passo à frente de mim em tudo, até na falta de sorte. Era Margo, ligando da boa e velha North Carthage, Missouri, da casa onde crescemos, e enquanto eu escutava sua voz, eu a vi aos dez anos, com uma cabeleira escura e vestindo macaquinho, sentada no cais dos fundos da casa dos nossos avós, seu corpo curvado como um travesseiro velho, suas pernas magricelas balançando na água, olhando o rio correr sobre pés brancos como peixes, muito concentrada, sempre incrivelmente contida, mesmo quando criança.

A voz de Go era calorosa e rascante mesmo para dar esta notícia desagradável: nossa indômita mãe estava morrendo. Nosso pai já estava quase lá — sua mente (cruel), seu coração (miserável), ambos funestos enquanto ele vagava rumo ao grande cinza do além. Mas parecia que nossa mãe ia partir antes dele. Uns seis meses, talvez um ano, era o que lhe restava. Estava claro que Go fora encontrar o médico sozinha, fizera anotações detalhadas em sua caligrafia desleixada e estava lacrimosa enquanto tentava decifrar o que havia escrito. Datas e doses.

— Ah, merda, não tenho ideia do que é isso. Um nove? Faria sentido? — disse ela, e eu interrompi.

Ali estava uma tarefa, um objetivo, apresentado na palma da mão de minha irmã como uma ameixa. Quase chorei de alívio.

— Eu vou voltar, Go. Vou voltar para casa. Você não deve fazer tudo isso sozinha.

Ela não acreditou em mim. Eu podia ouvi-la respirando do outro lado da linha.

— Estou falando sério, Go. Por que não? Não há nada aqui. Um suspiro longo.

— E Amy?

Eu não havia parado para pensar nisso. Simplesmente supus que poderia embrulhar minha esposa nova-iorquina com seus interesses nova-iorquinos, seu orgulho nova-iorquino, afastá-la de seus pais nova- -iorquinos — deixar para trás a frenética e excitante terra do futuro que é Manhattan — e transplantá-la para uma cidadezinha junto ao rio em Missouri, e tudo ficaria bem.

Eu ainda não havia entendido quão tolo, quão otimista, quão, sim, a cara do Nick era pensar isso. A infelicidade a que isso iria levar.

— Amy ficará bem. Amy…

Era nesse ponto que eu deveria ter dito “Amy ama a mamãe”. Mas eu não podia dizer a Go que Amy amava nossa mãe, porque depois de todo aquele tempo Amy ainda mal conhecia nossa mãe. Os poucos encontros haviam deixado ambas perplexas. Amy passava os dias seguintes dissecando as conversas — “E o que ela quis dizer com…” —, como se minha mãe fosse alguma antiga camponesa tribal chegando da tundra com uma braçada de carne de iaque crua e alguns botões para fazer escambo, tentando conseguir de Amy algo que não estava sendo oferecido.

Amy não fez questão de conhecer minha família, não quis visitar o lugar onde eu nascera e ainda assim, por alguma razão, achei que voltar a morar na minha cidade seria uma boa ideia.

Meu hálito matinal esquentou o travesseiro, e eu mudei o assunto na minha mente. Hoje não era dia de se arrepender ou de se lamentar, era dia de fazer. Dava para ouvir, vindo do térreo, a volta de um som havia muito perdido: Amy preparando o café da manhã. Batendo armários de madeira (rump-tump!), chacoalhando recipientes de lata e vidro (ging-ring!), arrastando e escolhendo uma coleção de potes de metal e panelas de ferro (rush-shush!). Uma orquestra culinária se afinando, tilintando vigorosamente rumo ao desfecho, uma forma de bolo rolando pelo piso, batendo na parede com um som de címbalos. Algo impressionante estava sendo criado, provavelmente um crepe, porque crepes são especiais, e hoje Amy iria querer preparar algo especial.

Estávamos fazendo cinco anos de casados.

Fui descalço até a beira da escada e fiquei escutando, brincando com os dedos dos pés no grosso carpete que ia de parede a parede e que Amy detestava por princípio, enquanto tentava decidir se estava pronto para me juntar à minha esposa. Amy estava na cozinha, alheia à minha hesitação. Cantarolava algo melancólico e familiar. Eu me esforcei para descobrir o que era — uma canção folclórica? uma cantiga de ninar? — e então me dei conta de que era a música tema de M*A*S*H. Suicídio é indolor. Desci as escadas.

Fiquei parado na soleira da porta, observando minha esposa. Seus cabelos amarelo-manteiga estavam presos, o rabo de cavalo balançando alegremente como uma corda de pular, e ela chupava distraída a ponta de um dedo queimado, cantarolando. Ela cantarolava para si mesma porque era uma destruidora de letras sem igual. Quando estávamos começando a namorar, uma canção do Genesis tocou no rádio: “She seems to have an invisible touch, yeah”. E em vez disso Amy cantou: “She takes my hat and puts it on the top shelf”. Quando perguntei a ela por que achava que suas letras eram remota, possível, vagamente corretas, ela me disse que sempre achara que a mulher na canção realmente amava o homem porque ela colocava o chapéu dele na prateleira de cima. Eu então soube que gostava dela, gostava dela de verdade, daquela garota com uma explicação para tudo.

É um tanto perturbador recordar uma lembrança calorosa e sentir-se profundamente frio.

Amy espiou o crepe chiando na frigideira e lambeu algo do pulso.

Parecia triunfante, a típica mulher casada. Se eu a tomasse nos braços, sentiria cheiro de frutas vermelhas e açúcar de confeiteiro.

Quando ela me viu espiando de samba-canção velha, os cabelos totalmente em pé, se apoiou no balcão da cozinha e disse:

— Olá, bonitão.

Bile e medo tomaram minha garganta. Pensei comigo mesmo: Certo, vá em frente.

Eu estava muito atrasado para o trabalho. Minha irmã e eu havíamos feito uma coisa tola quando voltamos para a casa dos nossos pais.

Fizemos o que sempre falávamos que queríamos fazer. Abrimos um bar.

Pegamos dinheiro emprestado com Amy para isso, oitenta mil dólares, algo que um dia não fora nada para ela, mas que na época era quase tudo. Jurei que devolveria, com juros. Eu não ia ser um homem que pegava dinheiro emprestado com a esposa — podia sentir meu pai fazendo uma careta apenas com a menção da ideia. Bem, há todo tipo de homem, era sua frase mais condenatória, a segunda metade não dita: e você é o tipo errado.

Mas na verdade era uma decisão prática, uma jogada comercial inteligente.

Amy e eu precisávamos de carreiras novas; aquela seria a minha.

Ela escolheria uma algum dia, ou não, mas, enquanto isso, aquilo produziria uma renda, possibilitada pelo resto do pecúlio de Amy. Assim como a ridícula casa que eu alugara, o bar aparecia simbolicamente em minhas lembranças de infância — um lugar aonde apenas adultos iam, fazer o que quer que fosse que adultos faziam. Talvez por isso eu tenha insistido tanto em comprá-lo após ter sido privado de meu ganha-pão.

Era um lembrete de que eu era um adulto, afinal, um homem crescido, um ser humano útil, embora tivesse perdido a carreira que havia me tornado todas essas coisas. Eu não iria cometer aquele erro novamente: os rebanhos antes vigorosos de jornalistas de revistas continuariam a ser abatidos — pela internet, pela recessão, pelo público americano, que preferia assistir à TV, jogar video games ou informar eletronicamente aos amigos que, tipo, chuva é uma droga! Mas não havia aplicativo para uma onda de bourbon em um dia quente, em um bar fresco e escuro.

O mundo sempre vai querer uma bebida.

Nosso bar é um bar de esquina com uma estética de colcha de retalhos.

Seu melhor elemento é um enorme balcão vitoriano ao fundo, cabeças de dragão e rostos de anjos brotando do carvalho — um extravagante trabalho em madeira nesses dias de plástico vagabundo. O restante do bar é, de fato, vagabundo, uma exibição das mais pobres ofertas do design de todas as décadas: um piso de linóleo da época de Eisenhower, as beiradas viradas para cima como uma torrada queimada; paredes com um dúbio revestimento de madeira saído diretamente de um vídeo pornô amador dos anos setenta; luminárias de piso com lâmpada halógena, um tributo acidental ao meu quarto de alojamento dos anos noventa. O efeito final é estranhamente acolhedor — parece menos um bar do que a casa bondosamente decadente de alguém. E jovial: dividimos um estacionamento com o boliche local, e quando nossas portas se abrem, o barulho de strikes aplaude a entrada do cliente.

Chamamos o bar de O Bar. “As pessoas vão pensar que somos irônicos em vez de criativamente falidos”, raciocinou minha irmã.

Sim, achamos que estávamos sendo espertos à maneira dos nova-iorquinos — que o nome era uma piada que ninguém mais iria realmente sacar, não como nós. Não meta-sacar. Imaginamos os locais torcendo os narizes: por que vocês o chamaram de O Bar? Mas nossa primeira cliente, uma mulher de cabelos grisalhos, com bifocais e um agasalho de ginástica cor-de-rosa, disse: “Gostei do nome. Como em Bonequinha de luxo, em que gato de Audrey Hepburn se chama Gato.”

Nós nos sentimos muito menos superiores depois disso, o que foi bom.

Entrei no estacionamento. Esperei que um strike soasse na pista de boliche — obrigado, obrigado, amigos — e então saí do carro. Admirei as redondezas, ainda não entediado com aquela visão: a atarracada agência dos correios de tijolos claros do outro lado da rua (agora fechada aos sábados), o prédio de escritórios bege despretensioso um pouco abaixo (agora fechado, ponto). A cidade não era próspera, não mais, nem de longe. Que diabo, ela não era sequer original, sendo uma de duas Carthage, Missouri — a nossa é tecnicamente a Carthage do Norte, o que dá a impressão de que são cidades gêmeas, embora a nossa fique a centenas de quilômetros da outra e seja a menor das duas: uma pitoresca cidadezinha dos anos cinquenta que inchara até se tornar um subúrbio básico de porte médio e apelidara isso de progresso. Ainda assim, era onde minha mãe crescera e onde ela criara Go e a mim, de modo que tinha alguma história. A minha, pelo menos.

Enquanto eu caminhava na direção do bar, atravessando o estacionamento de concreto e ervas daninhas, olhei para o final da rua e vi o rio. É o que eu sempre adorei em nossa cidade: não havíamos sido construídos em um promontório seguro debruçado sobre o Mississippi — estávamos no Mississippi. Eu podia descer a rua e entrar diretamente nele, uma queda fácil de menos de um metro, e estaria a caminho do Tennessee. Todos os prédios do centro da cidade têm linhas riscadas à mão no ponto a que o rio chegou nas inundações de 61, 75, 84, 93, 2007, 2008, 2011. E assim por diante.

O rio não estava cheio agora, mas corria com urgência, em fortes e viscosas correntes. Movendo-se no mesmo ritmo que o rio, uma comprida fila indiana de homens, os olhos voltados para os pés, ombros tensos, caminhava resolutamente para lugar nenhum. Enquanto eu os observava, um deles de repente ergueu os olhos para mim, seu rosto na sombra, uma escuridão oval. Desviei o olhar.

Senti uma imediata e intensa necessidade de entrar. Depois de andar seis metros, meu pescoço borbulhava de suor. O sol ainda era um olho raivoso no céu. Você foi visto.

Minhas entranhas se contorceram e eu me apressei. Precisava de uma bebida.

 

 

 

Beijos

Resenha: Em Busca de Sentido – livro

Livro: Man’s Search for Meaning (Em busca de sentido – titulo da edição brasileira)

Autor: Viktor E. Frankl

Editora: Beacon Press (MA)

 

Oi pessoal,

 

Hoje queria falar com vocês de um livro que é um pouco diferente do estilo de livros que estamos acostumados a fazer resenha aqui no blog. Man’s search for meaning não é uma ficção, na realidade é um livro de psicologia que pode mudar sua visão do mundo.

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Viktor Frankl é um psiquiatra judeu que foi preso e sobreviveu a 4 campos de concentração diferentes durante a segunda guerra mundial, entre eles Auschwitz. No livro ele conta suas experiências nos campos do ponto de vista da psicologia, e tenta responder como o dia a dia de um campo de concentração se reflete na mente de um prisioneiro comum, o que faz o homem querer viver mesmo em condições horríveis como aquelas e sem nenhuma perspectiva de um futuro melhor, ou até de um futuro, já que a vida deles não valia quase nada para os nazistas e poderia ser tirada a qualquer momento.

O que dá sentido na vida do homem? O homem é 100% influenciado pelo meio ou existe uma outra alternativa?

A primeira parte do livro é inteira voltada para as experiências vividas por Frankl, por analises psicológicas de comportamentos comuns e incomuns nos campos e por questões filosóficas que vão chegar até o leitor também que pode se perguntar qual o sentido da sua própria vida.

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Na segunda parte do livro Frankl introduz ideias sobre o significado da vida e da sua teoria de Logoterapia, que é uma terapia voltada a fazer a pessoa procurar por um sentindo, aceitando assim a si mesma e tentar melhorar como ser humano.

É um livro interessantíssimo, pode ser cansativo devido a seu denso conteúdo, porém vale a pena ler e refletir.

O livro foi considerado um dos dez livros mais influentes nos Estados Unidos, e na época da morte do autor em 1997, já havia sido vendido mais de 10 milhões de copias e traduzido para 24 línguas diferentes. É um livro que recomendo muito para quem quer ler algo diferente e que pode ser significativo para sua vida.

Aproveito para agradecer a indicação do livro e queria saber de vocês se querem mais resenhas de outros tipos de livro ou ficção como já vínhamos fazendo.

 

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Deixa seu comentário!

 

Beijos até a próxima.

 

 

Resenha: Cartas de um diabo a seu aprendiz – Livro

Livro: Cartas de um diabo a seu aprendiz

Autor: C. S. Lewis

Editora: WMF Martins Fontes

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“Querido Vermebile,”

Cartas de um diabo a seu aprendiz é um livro contado pelo ponto de vista do diabo Fitafuso que em forma de cartas aconselha seu sobrinho Vermebile a como conseguir fazer um humano cair em tentação, é claramente uma maneira irônica de fazer diversas criticas a sociedade e a religião da época. O livro se passa durante a segunda guerra mundial, Vermebile é um diabo que acabou de se formar na Faculdade de Treinamento de Tentadores e está em sua primeira missão de tentar conseguir a alma de um humano, seu “paciente” como é chamado no livro é um homem jovem de classe média que leva uma vida comum, como qualquer outro jovem inglês da época. Não é possível se saber com precisão no livro qual o conteúdo das cartas que Vermebile manda para seu tio, temos somente as cartas de resposta de Fitafuso, onde ele fala resumidamente sobre a carta que recebeu e da dicas a seu sobrinho de como prosseguir.

Fitafuso fala muito sobre Deus (ou o Inimigo como é chamado no livro), sobre como os humanos pensam e quais as principais tentações em que caem. Apesar de ser um livro antigo é possível identificar muita coisa do que é descrito com a sociedade atual e ver o quão atual ainda são as criticas de Lewis.

Clive Staples Lewis foi um  professor universitário, teólogo anglicano, poeta e escritor britânico, é mais conhecido por ter escrito os livros da coleção “As crônicas de Nárnia”(livro que ainda não tive oportunidade de ler mas já está na minha lista), pelo que pude ver pelos filmes, “As crônicas de Nárnia” também tem, de uma maneira mais sutil, um forte teor religioso, notei isso principalmente no último filme onde se tem o mundo de Aislan e vou parar por aqui para não dar spoiler para quem ainda não viu o filme. O teor religioso parece ser um traço nos livros de Lewis, mas não de uma maneira em que se pensa: “estou lendo um livro sobre religião”, ele consegue trazer os temas do cristianismo de uma maneira irreverente, que te faz pensar sobre o assunto e te diverte ao mesmo tempo.

Não me considero uma pessoa muito religiosa e nem tenho o costume de ler sobre o assunto, mas o livro Cartas de um diabo a seu aprendiz prendeu minha atenção e me fez refletir bastante sobre o tema e principalmente sobre diversas atitudes que tomo e porque as tomo. É um livro mais cansativo por esse motivo, por te fazer refletir sobre diversos temas da sociedade e como você se encaixa e se posiciona sobre eles, mas apesar dessa “densidade” não deixa de ser um livro divertido e as avessas, pois Fitafuso defende totalmente o Inferno e a infelicidade das pessoas.

Um fato interessante é que este livro foi dedicado ao amigo de Lewis, com cara pouco conhecido chamado J. R. R. Tolkien.(Para quem não sabe, o autor de: O senhor dos Anéis, O hobbit, entre outros) e esse na verdade foi um dos principais motivos para eu ter me arriscado a ler. Eu acho o Tolkien um cara fantástico e imaginei que para Lewis que era um amigo ter dedicado esse livro a ele valia a pena ser lido e não estava errada.

Recomendo o livro para quem quiser ler algo divertido mas ao mesmo tempo critico (como é o caso do ” O guia do mochileiro das galáxias”), para quem esta procurando uma leitura somente para relaxar talvez esse não seja o livro certo. Pensei em entrar mais a fundo e discutir alguns dos temas que são levantados no livro mas vou deixar essa para vocês refletirem.

Acho que por hoje é só! Até a próxima e boa leitura.

 

 

 

 

Resenha – Juízo Final (livro)

Livro: Juízo Final

Autor: Sidney Sheldon

Editora: Record

Oi galera, tudo bem?

Estou de volta, desculpa a ausência ultimamente tem sido muita correria. Terminei de ler ontem o livro do Sidney Sheldon “Juízo final” e tenho que admitir que estou decepcionada.

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Eu sempre fui muito fã dos livros dele mas esse acho que foi o pior que já li dele, não que seja um livro horrível, muito pelo contrario é um bom livro mas poderia ser muito melhor, comparado aos outros que li dele como: “O Plano Perfeito”, “Se houver amanhã”, “O outro lado da meia-noite”, “Um estranho no espelho” e muitos outros, esse é o mais fraquinho.

O livro conta a historia de Robert Bellamy que faz parte do serviço de inteligência da marinha dos EUA e é chamado para ajudar num caso especial da CIA, o caso apresentado não é nada simples: um balão meteorológico com equipamentos bélicos caiu na suíça e sabe-se que um grupo de turistas acabou presenciando o fato. Não se sabe quantos turistas são, nem da onde vieram e  nem onde estão no momento. A missão de Robert é encontrar todas as testemunhas do ocorrido e passar seu nome e endereço para que as autoridades locais possam falar com esse cidadão a respeito do que virão ser extremamente confidencial. Um detalhe importante é que Robert é advertido a não contar com a ajuda de absolutamente ninguém do governo que ele já conheça de serviços anteriores.

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Começando pelo fato desse ser o primeiro livro do Sidney Sheldon que leio que não tem como principal uma mulher, foi legal ver uma mudança mas ainda prefiro as heroínas de Sheldon, em geral elas são personagens muito profundas, não que Sheldon não tenha se aprofundado no personagem de Robert Bellamy, mas na minha opinião faltou aquele detalhe que não sei explicar bem o que é que tem nos outros livros do autor.

Não fui muito fã desse livro também por outro detalhe, esse é o segundo livro que leio (e não gosto) que Sheldon se usa de elementos sobrenaturais, por assim dizer, para sua história (o outro foi “quem tem medo do escuro”), eu prefiro quando a história é mais verossímil. Prefiro histórias totalmente fantasiosa como Harry Potter ou totalmente verossimeis como Marley

e eu. Essa historia de misturar as coisas usando muito pouco de um(sobrenatural) no plano real me incomodou um pouco, parece que o autor estava sem criatividade e fez algo mal feito.

Nao é um livro ruim mas também foi um dos meus preferidos, fica a dica do livro para quem gosta de livro policial, a caçada das testemunhas é bem interessante e o autor pensa em coisas que provavelmente na situação de Robert eu nunca pensaria.

Resenha: Sob a Redoma – livro

Resenha

Livro: Sob a Redoma

Autor: Stephen King

Editora: Suma de letras – Objetiva

 

Oi gente! Como estão?

Final-post

Demorou uma eternidade pra acabar, mas finalmente acabei e valeu a pena! Sob a redoma (Under the Dome) é o estilo de livro meio J. K. Rowling que você não pega o ritmo de primeira, precisa passar das cem primeiras páginas para você não querer largar mais, e nesse caso tudo bem porque o livro tem 954 páginas e repito: Vale a pena!

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A história é de uma cidade chamada Chester’s Mill, situada nos Estados Unidos que de uma hora para outra se vê presa sob uma redoma invisível. Sem contato com o mundo exterior apesar das grandes tentativas do governo para libertar a cidade o caos começa a se instalar logo nos primeiros dias após o incidente. Big Jim, o maior vilão do livro, encara a redoma como uma mensagem de Deus de que está na hora dele controlar a cidade de vez, coisa que já tem tentado fazer a muitos anos sendo segundo vereador da cidade e fará tudo que está ao seu alcance, até matar se preciso, para conseguir o que quer. Dale Barbara, ou Barbie, é um ex-militar que leva a vida como cozinheiro num restaurante local e que poucos dias antes da redoma entrou numa briga feia com Junior, o filho psicopata de Big Jim, é titulado como o homem no comando da cidade pelo próprio presidente dos EUA, o que vai totalmente contra os planos de Big Jim, e afinal o que o governo dos EUA pode fazer? Ninguém entra e ninguém sai. Já deu pra sentir a tensão no ar, certo?

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Eu sinceramente demorei um pouco  para me acostumar com o estilo de narrativa muito dinâmico que Stephen King usa, sempre contado em terceira pessoa, mas passando pela perspectiva de vários personagens numa mesma página, por animais e até por seres inanimados. Outro aspecto da narrativa que estranhei muito logo de cara, mas acabei me acostumado é o modo como ele costuma dar spoilers do que vai acontecer mais pra frente no livro, realmente spoiler, King simplesmente abre um parênteses e fala coisas do tipo: “até aqui ele ainda não sabia que tinha um tumor no cérebro” ou “ele achava que seria uma boa ideia, mas não seria!”. No começo eu não gostei, achei que acabava um pouco com a graça do livro contando o que ia acontecer mais pra frente, mas como costumam ser spoilers vagos acabou por fazer exatamente o contrário, me deixou ainda mais curiosa para ler e saber o porquê aquilo ia acontecer.

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A história tem muitos personagens, muitos mesmo, King realmente fez questão de pintar o cenário de uma cidade toda, ainda que pequena, e mostrar ao máximo possível a perspectiva de todos, mesmo que eles não durem muito.

 

Eu achava que o Martim gostava de matar os personagens, mas acho que o King conseguiu ser ainda pior, é claro que não tem logo de cara uma morte tão surpreendente e inesperada como a do Ned Stark, mas ainda assim, muitas mortes. Conselho: não se apegue muito a nenhum personagem!

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Eu me surpreendi com o final, estava esperando alguma coisa muito louca e sem sentido que deixasse a desejar e muito com tanta coisa acontecendo no livro, mas me surpreendi um final bem bolado e do tipo que eu gosto: que faz pensar. O livro tem uma leve moral no final, o que é bem interessante, eu gostei bastante, talvez porque estava com baixa expectativa, mas achei realmente surpreendente e comovente, talvez você também se pegue pensando a respeito da sua vida, não vou dizer exatamente em relação a que para não acabar com a graça.

 

Para os que vão ler pensando que o livro é igual à série talvez tenham uma grande decepção, não é em quase nada parecido com a série. Os personagens principais estão lá, mas tem personalidades um pouco diferentes, acho que o mais fiel ao livro é Big Jim e mesmo assim achei a versão Big Jim da série mais bonzinho do que ele realmente é no livro, está também a fábrica de drogas, o confronto constante de Barbie e Big Jim e é claro a redoma, fora isso em quase nada se parecem, mas também recomendo a série é muito boa!

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Sob a redoma é um livro denso, e com um ritmo enlouquecedor de coisas acontecendo e é realmente fascinante. Gostei bastante e recomendo para os que gostam de sci-fi, e também pros que gostam de ver o que as pessoas estão dispostas a fazer por poder ou para sobreviver! Na realidade gostei tanto que recomendo a todos, talvez não pros com estomago fraco, encarem esse livro gigante, vale a pena!     topo-sobaredoma

Resenha: O Cavaleiro dos Sete Reinos – livro

Resenha

Livro: O Cavaleiro dos Sete Reinos

Autor: George R. R. Martin

Editora: Leya

 

 

Oi gente estavam com saudades?

 

Hoje vou falar de um livro que eu adorei: o cavaleiro dos sete reinos do Martin, para quem gostou de Guerra dos Tronos esse é um livro que não pode faltar na sua prateleira.

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A história se passa noventa anos antes de “a guerra dos tronos”, ou seja, da história do primeiro livro. Nesse livro os Targaryen ainda governam os sete reinos, mas já não existe nenhum dragão vivo. O personagem principal do livro é Dunk, pra quem já leu os outros livros da série já sabem que cada capitulo tem o nome da pessoa que vai narrar à história do ponto de vista dela, nesse livro é diferente, sempre iremos ver a história do ponto de vista de Dunk, que nada mais é do que um homem imenso, que tem baixo nascimento e se tornou cavaleiro andante.

As coisas na vida de Dunk começam a mudar logo que ele vira cavaleiro e conhece um menino muito estranho chamado Egg, que tem a cabeça raspada e os olhos púrpuros, não é nenhum spoiler falar que o menino é um príncipe Targaryen fingindo ser um menino pobre. Dunk acaba fazendo de Egg seu escudeiro e juntos eles passam três aventuras que estão separadas por capitulo no livro. Agora para saber as aventuras terão que ler.

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Gostei muito do livro, mas eu amo a série as crônicas de gelo e fogo, era de se esperar que eu gostasse. Para quem achou muito denso os livros de as crônicas de gelo e fogo pode gostar de o cavaleiro dos sete reinos e ler tranquilamente, pois uma historia não afeta a outra, mas acho que talvez alguns detalhes não serão entendidos, o livro tem menos personagens, e tem uma narrativa mais leve e é bem menor, são 413 páginas mas com uma fonte bem maior do que a do as crônicas de gelo e fogo. Para quem quer ler os outros livros da série mas está com preguiça pois o livro é muito grande, pode ser uma boa ideia começar com o cavaleiro dos sete reinos para se animar pra ler os outros.

O Cavaleiro de Westeros

Resenha: o Hobbit

Resenha Livro: O Hobbit

Autor: J. R. R. Tolkien

Editora:Martins Fontes

Oi pessoal, e ai o andam lendo durante o carnaval?

Já faz um tempo que tive a oportunidade de ler o hobbit e tenho acompanhado os filmes também, para quem se empolgou com os filmes e decidiu que quer ler o livro aviso: o livro e os filmes não são iguais, os filmes tem muito mais ação do que os livros em si.

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O livro, O Hobbit tem uma narrativa diferente da trilogia do senhor dos anéis, nesse livro a linguagem é mais fácil sem tanta descrição de cenário, mas ainda assim riquíssimo ao estilo Tolkien.

O livro conta a aventura de Bilbo Bolseiro, a história de antes de o senhor dos anéis, de como Bilbo conseguiu “o anel para controlar todos os outros anéis”. Para quem leu o senhor dos anéis, ou mesmo assistiu aos filmes, deve se lembrar do momento que o Bilbo entrega o livro com suas memórias para o Frodo, esse livro de memórias conta a história de O Hobbit, de como Gandalf encarregou Bilbo de uma tarefa que mudaria para sempre a história de todos da terra-média.

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Indico para quem gosta de Tolkien obviamente, mas também para quem gostou do estilo de o senhor dos anéis mas não deve paciência para ler todo o livro, O Hobbit é um bom começo para se acostumar com o estilo de escrita do Tolkien e conseguir “pegar o ritmo” para ler uma trilogia pesada como o senhor dos anéis.

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Bom carnaval e boa leitura!