Resenha Cinematográfica – Hellraiser, de Clive Baker e…Clive Baker

Hey, galere,

Outubro está acabando, o Halloween chegando e mais um filme de terror pra vocês, novamente um clássico dos anos 80/90 que muitas pessoas conhecem, mas não sabem que conhecem. Relaxem, eu vou explicar, então sente, preste atenção, prepare seu coração e seu estômago (é um filme bem forte assim como o livro), pois o filme de hoje é Hellraiser de Clive Baker, baseado no livro The Hellbound Heart de…Clive Baker!

Na falta do dvd vai a montagem mesmo.

Na falta do DVD vai a montagem mesmo.

Existem certos ícones da cultura pop que conhecemos mas não sabemos ao certo de onde eles vem, são personagens marcantes que sabemos que existem, mas não conhecemos a obra que os originou. Alguns exemplos são o Pennywise do filme IT, Michael Myers do Halloween e Pinhead de Hellraiser.

Mas não tem problema de você não conhecer ainda o livro/filme, pois nunca é tarde demais. Hellraiser estreou em 1987 na Grâ Bretanha, aonde foi produzido, e até hoje é considerado um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos e um dos mais pesados e bizarros também (pelo menos dentre os conhecidos no grande circuito).

Com uma temática incrivelmente pesada, até mesmo para os padrões de hoje, foi em 1986 que o absurdamente versátil (escritor, diretor, designer de games e artista visual) Clive Baker escreveu seu segundo romance: The Hellbound Heart.

O livro conta a história de Frank Cotton, um hedonista e egoísta que passou a vida toda buscando ter a uma experiência sexual suprema, não tendo problema de levar esse objetivo até o limite, que o levou a ser autor de diversos crimes (sexuais e não sexuais). Com o tempo ele se torna um niilista, sedento para realizar seu desejo máximo, a única coisa que o estimulava a continuar vivendo. Cotton então ouve rumores de um artefato que se diz ser um portal extra dimensional para uma terra de prazer carnal sem precedentes.

Curioso ele encontra o artefato e através de um pequeno ritual abre o portal do qual sai os Cenobites (curiosidade: o nome surge da palavra “cenobita” que em latim significa “membro de uma comunidade religiosa”), seres dedicados a experiências sensuais extremas. Assustado mas curioso, Frank faz um acordo com os Cenobites que os levam para sua dimensão para ele ter essa nova experiência sensorial, contudo ele jamais poderia retornar para a Terra. No entanto, os Cenobites não conseguem mais diferenciar o limiar entre dor e prazer no seu culto sado masoquista, fazendo com que Frank seja subjugado a alucinantes torturas.

Os cenobites, incluindo o famoso Pinhead (o terceiro da esquerda para a direita)

Os cenobites, incluindo o famoso Pinhead (o terceiro da esquerda para a direita)

Mas isso é só o começo, pois é quando Rory, irmão de Cotton, junto com Julia, sua esposa e ex amante de Frank, se mudam para a casa (cujo endereço é Rua Ludovico, 55, o mesmo nome do instituto em que Alex, de Laranja Mecânica, é internado, para mais informações sobre essa obra veja nossa resenha) que um dia pertenceu ao seu irmão , agora desaparecido, que as coisas começam a ficar perturbantes, pois quando Rory acidentalmente se corta no sótão (local onde Frank abriu o portal extra dimensional) ele acaba abrindo novamente o portal para a dimensão dos Cenobites, dando a possibilidade de Frank escapar e encontrar Julia. Frank está completamente desfigurado e pede auxílio á mulher que, ainda apaixonada por ele, aceita ajudá-lo. A missão de Julia era trazer homens até o sótão onde ele se escondia e matá-los para que ele conseguisse tomar o sangue deles e assim recuperar sua antiga forma.

A partir daí temos uma sucessão de eventos que termina em uma caçada dos Cenobites por Frank, que por sua vez está mais visceral e assassino do que nunca.

É uma sinopse longa, mas o livro não é fácil de resumir, no entanto, a questão é que Clive Baker criou algo completamente novo e diferente, apesar de não convencional e da temática pesada, o mínimo que se deve dar para Baker é o reconhecimento de que ele criou uma obra diferente. Não é a toa que Stephen King disse, após ler o livro, “eu vi o futuro do terror e o nome dele é Clive Baker”.

Foi no ano seguinte, logo após o sucesso do livro que o próprio Clive Baker decide adaptar seu próprio livro. Baker já vinha de alguns filmes experimentais e surrealistas e já era experiente na arte de escrever roteiros, portanto, ele já possuía um” know-how” de como fazer um filme.

Fiel a sua própria obra, as alterações no enredo foram mínimas, sendo bem fiel ao que foi mostrado na breve sinopse de anteriormente, com isso, podemos dizer que o filme não peca por falta de cenas chocantes. Desde o começo o filme mostra ao que veio quando mostra o desfigurado Frank Cotton voltando da dimensão dos Cenobites para a nossa, é chocante e nojento ao mesmo tempo (essa era a intenção, afinal o dimensão dos Cenobites é algo semelhante ao inferno e os próprios seres são análogos a demônios).

Contudo, não é nas atuações ou na fotografia que o filme tem seu charme maior, para mim, o grande feito do filme é sua maquiagem (não é a toa que o líder dos Cenobites, Pinhead, ficou tão famoso na cultura pop). O design de personagens do filme é absurdamente maravilhoso e digno de fascínio da audiência, os efeitos especiais são todos manuais (não havia a cultura dos efeitos CGI, computer generated images, tão difundida na época), sensacionais e envelheceram bem, mostrando que é possível fazer um filme de efeitos sem computador.

Famoso Pinhead

Não sem sacrifícios que a maquiagem foi e é tão incrível: somente para a preparar o look do famigerado Pinhead , interpretado por Doug Bradley (que quase recusou o papel porque ele queria que seu primeiro papel no cinema aparecesse mais o seu verdadeiro rosto), para suas cenas, demorava seis horas.

A película tem aquela aura típica do terror dos anos 80/90 trazendo uma certa nostalgia ao filme deixando-o muito mais interessante para todo bom admirador do gênero.

Apesar de polêmico, o filme teve recebeu uma reação mista pela crítica, mas arrecadou mais de 20 milhões nos cinemas americanos, uma margem de lucro alta se levarmos em conta os “míseros” 1 milhão de dólares utilizados para sua produção.

O sucesso do filme ainda o rendeu 7 continuações, nenhuma dirigida ou escrita por Clive Baker, imortalizando o personagem para sempre na cultura pop.

Diferente, curioso, bem executado, Hellraiser é uma aula de efeitos especiais feitos da maneira antiga e conta uma história visceral que quebra todos os tabus e deve ser visto por aqueles com estômago forte.

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