Resenha Cinematográfica – Ilha do Medo, de Dennis Lehane e Martin Scorsese

Opa, caros leitores!

Terceira semana, terceira resenha e terceiro filme no nosso “especial de terror” do mês de Outubro, a cada semana uma resenha de um filme diferente para você. Já tivemos Bloch/Hitchcock, King/Lambert e dessa vez traremos mais um dos diretores do panteão dos grandes nomes do cinema contemporâneo: Martin Scorsese e seu filme Ilha do Medo (Shutter Island) , uma adaptação do livro Paciente 67, de Dennis Lehane.

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Olha eu ai com o dvd

Eu sei qual é a primeira pergunta que vão me fazer: Ilha do Medo não é um suspense? E em antecedência eu respondo que sim, é um suspense e um dos bons, mas a linha entre suspense e terror é bem tênue, quase imperceptível, além disso alguns elementos no filme de Scorcese me lembram muito o gênero terror e como a obra me agrada muito resolvi que esse seria o próximo escolhido na lista de resenhas aqui no blog. Sem mais me estender muito quanto a isso vamos ao que importa.

Dennis Lehane é um autor norte-americano e escritor de alguns livros de grande sucesso desde o começo de sua carreira em 1994 com o livro A Drink Before the War, também adaptada para a sétima arte. Contudo, sua carreira literária realmente foi elevada a outro patamar em 2001 quando escreveu o livro Mystic River que no Brasil ganhou o título Sobre Meninos e Lobos, mas foi com a adaptação desse livro também para os cinemas que o autor realmente deslanchou como um dos mais importantes da atualidade. O filme foi adaptado por Clint Eastwood, ex-galã de filmes de western (como por exemplo, Por um Punhado de Dólares, Estranho Sem Nome e o meu favorito, Três Homens em Conflito), e contou ainda um elenco de peso e 30 milhões de dólares de orçamento, culminando em uma obra prima vencedora de dois Oscars, dois Globos de Ouro, Prêmio de Melhor Diretor em Cannes e o Prêmio César na França de Melhor Filme Estrangeiro, isso sem contar as inúmeras indicações, ou seja, o filme foi aclamado pela crítica e pelo público.

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Cena de Sobre Meninos e Lobos

Depois do fenômeno que foi Sobre Meninos e Lobos, Lehane, em alta , escreveu dois anos depois o livro Paciente 67 (Shutter Island), um best-seller absoluto em 2003, sobre um detetive, Edward Daniels, em busca de uma paciente desaparecida de um hospício no meio de uma ilha isolada, um local do qual, teoricamente, não teria escapatória. A partir dai começa uma investigação cheia de suspense e reviravoltas e um final surpreendente.

Enquanto isso, 3 anos após o lançamento do livro, o já aclamado diretor de filmes como Taxi Driver, Touro Indomável, Os Bons Companheiros, Gangues de Nova Iorque, Cassino e outros títulos incríveis, Martin Scorsese lançava Os Infiltrados, que lhe renderia Oscar de melhor filme e melhor diretor em 2007. Isso trouxe ainda mais prestígio ao clássico diretor, contudo, também trouxe um grande peso para sua próxima obra. Indeciso quanto ao que fazer, Scorsese queria uma volta triunfal aos cinemas e foi nessa época que se deparou com a obra de Lehane, pela qual se apaixonou e decidiu que essa seria a história de seu próximo filme.

Scorsese repete nessa obra a dupla de sucesso que vem fazendo desde Gangues de Nova Iorque com o ator Leonardo DiCarprio e o faz com maestria, colocando-o como personagem principal do filme. DiCaprio mais uma vez nos mostra nesse filme que não é apenas um rosto bonito no cinema. Sem medo de perder a postura ou a pose de galã, ele interpreta o atormentado (após a morte de sua esposa… Sim, DiCaprio é especialista em interpretar personagens que tem seus amores, vide A Origem) detetive Edward Daniels com todas as forças. Ele grita, “faz cara feia”, aponta o dedo na cara dos outros, fuma de maneira incrivelmente estilosa, e nos transmite o medo e a curiosidade mórbida do personagem perante a tal mistério, além de seu carisma nos fazer torcer cada vez mais pelo personagem (o qual é completamente baseado nos detetives de filmes noir do início dos anos 40 e dos anos 50).

O cenário do filme é um espetáculo a parte, a ilha sinistra, digna de um Dr. Monroe, é tensa a todo momento. Constantemente chovendo e sempre nebuloso, o local é escuro e cinza, muitas vezes lembrando um campo de concentração. Esse sentimento, contudo, não foi a toa pois o filme referencia diversos outros filmes e gêneros como o noir, filmes de guerra e, logicamente, o terror (principalmente após uma tempestade fazer com que os meios de comunicação na ilha fossem cortados e permitir que diversos pacientes, loucos e assassinos devo acrescentar, escapem de seus cárceres).

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Uma das cenas mais tensas do filme.

Acima de tudo, Ilha do Medo é uma homenagem aos filmes B de detetive, então Scorsese mistura muito o “trash” com o “sublime” criando um filme instigante, sem perder a diversão.

Ilha do Medo é um ótimo thriller policial, com toques de terror e noir e faz jus á carreira de um dos maiores diretores de todos os tempos e nos mostra que Martin Scorsese não deixou a camisa pesar (comprovando definitivamente esse fato com A Invenção de Hugo Cabret em 2010, mas falaremos desse filme outro dia) e mais uma vez nos presenteou com uma obra feita com muito esmero.

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