Resenha Cinematográfica – Cemitério Maldito, de Stephen King e Mary Lambert

Hey, folks!

Mais uma semana e mais um filme baseado em um grande livro. Em comemoração ao mês de Outubro, mês do Halloween, vou comentar mais um (depois de ter feito a resenha de Psicose na semana passada) filme de terror/suspense. Agora é a vez de comentar um dos meus autores favoritos e uma das suas obras mais clássicas de todos os tempos: Stephen King e seu livro Cemitério Maldito (Pet Sematary), adaptado para o cinema em 1989 pela diretora Mary Lambert  (que também fez uma sequência: Pet Sematery II).

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Cemitério Maldito disponível no Netflix

Stephen King tem um lugar especial na minha memória, pois foi a partir da adaptação de um de seus livros (1408, dirigido por Mikael Håfström) que comecei a me interessar por um dos gêneros que eu mais adoro hoje em dia: o terror. Seus contos me inspiraram a escrever e intensificaram minha paixão por esse hobbie.

Desde 1974, ao lançar Carrie, a Estranha nas prateleiras do mundo todo, Stephen King escreve livros anualmente, sendo a maioria deles com enfoque no terror (colocando-o no patamar de um dos “mestres do terror” na literatura). Dificilmente passa-se algum ano em que a máquina de escrever que é King não lança no mínimo um pequeno conto e desde então muitas histórias boas (e ruins também, afinal é difícil acertar todas quando se escreve tanto quanto ele) foram contadas por esse perturbado escritor americano.

Passados dois anos da publicação de seu primeiro livro, não demorou muito para Hollywood encontrar King e comprar os direitos de adaptação de um de seus livros (Carrie, a Estranha, 1976, dirigido por ninguém menos que Brian De Palma). Sucesso de bilheteria e crítica, os produtores logo viram uma fonte de dinheiro no jovem autor, na época com  31 anos, e aos poucos foi se tornando um dos autores mais adaptados do mundo (não só no cinema, mas na TV, quadrinhos e vídeo games).

Cena de Carrie, a Estranha, de 1976. O filme ganhará um remake ainda esse ano estrelado por Chloë Moretz (clique na foto para ver o trailer)

Mas vamos voltar no tempo, de volta para 1983, quando nosso querido autor escreve Cemitério Maldito. A história se inicia quando Louis Creed e sua família se mudam para uma grande casa próxima á cidade de Ludlow, nos Estados Unidos, buscando sossego e uma qualidade de vida maior. Após o gato da família, Church, ser atropelado acidentalmente, Creed vai até um cemitério de animais para enterrar o bichano, no entanto, seu vizinho Jud conta a história sobre um cemitério indígena com o poder de ressuscitar os mortos, o que intriga Louis, que enterra o gato no tal local. No dia seguinte, o gato aparece vivo, mas ainda com as marcas do atropelamento e com um temperamento estranhamente hostil e extremamente agressivo.

Contudo, esse é apenas o começo, pois quando o filho de Louis morre atropelado(sim, ele também foi atropelado…Prêmio de Pai do Ano para Louis Creed) que as coisas começam a ficar realmente complicadas, pois ele decide enterrar o filho no mesmo cemitério indígena que ressuscitou o pequeno Church. Como é de se esperar o jovem Gage, filho de Creed, volta à vida, mas não é mais o mesmo.

O enredo se desenrola a partir dai, com reviravoltas, mortes e muito suspense e até hoje é considerado um dos melhores livros de King. A ideia para o livro surgiu após a morte de Smuckey, o gatinho da filha de King, que, assim como no livro, foi atropelado e enterrado em um cemitério de animais que existia atrás de sua casa. Muitas das reações tidas pela família de Creed no romance foram baseadas nas reações reais da família do autor após a morte do pequeno animal (incluindo a fatídica cena do caçula da família correndo em direção à estrada enquanto um caminhão passava) e o vizinho Jud, do romance, foi baseado no vizinho de King também chamado Jud.

Seis anos depois da publicação do livro, a Paramount Pictures comprou os direitos de adaptação da obra e, com a supervisão do autor (que até faz uma ponta no filme como um padre), iniciou a produção do antológico filme.

Cena de Cemitério Maldito: Louis Creed abraça seu filho morto, Gage Creed, para enterrá-lo no cemitério indígena (clique na foto para ver o trailer).

Dirigido pela iniciante Mary Lambert, a película inicialmente seria dirigida por Geroge Romero (o pai dos filmes de zumbi) que, devido a demora do inicio das filmagens, desistiu do projeto. Com um elenco desconhecido, o filme faz jus à obra original, principalmente porque teve o acompanhamento de Stephen King que queria que o filme seguisse à risca o roteiro, escrito por ele mesmo, que se baseava fielmente no livro (ele estava traumatizado após a adaptação de Stanley Kubrick de seu livro O Iluminado, que particularmente eu acho genial, mas o autor diz ter odiado).

A fotografia do filme confere ao filme um clima tenso, sabendo variar entre momentos calmos e de puro terror. Abusando da famosa neblina, marca registrada de qualquer terror clássico, durante as cenas a noite, o filme chega a ser nostálgico pois imprime o estilo estético dos anos 90 em tela, ainda mais acompanhado pela trilha sonora da banda nova-iorquina: os Ramones (que criou um de seus maiores hits de sucesso, também chamado Pet Sematery, especialmente para o filme) , também muito referenciada do livro, pois King sempre foi muito fã da banda.

Dale Midkiff está muito bem como pai atormentado após morte do filho, apesar da sua atuação ser meio exagerada. Na verdade, a atuação da maioria dos atores nesse filme são exageradas, o que deixa o filme muito mais caricato e, na minha opinião, divertido. As melhores atuações do filme ficam por conta dos atores mirins (Ellie e Gage Creed, interpretados por Blaze Berdahl e Miko Hughes) e o jovem Brad Greenquist que interpreta Victor Pascow, um jovem morto em um acidente de carro (ta ai um filme ideal para se colocar um product placement de companhia de seguro).

O que mais me chamou a atenção nesse filme é a discussão acerca da aceitação da morte e até onde vai o ser humano para não perder algo que ele ama. A história serve como alegoria sobre a não aceitação da morte de um ente querido e as conseqüências em não deixar o “espírito” (metaforicamente falando) dele ir embora, mantendo-o vivo, quando na verdade o certo a se fazer é seguir em frente e superar a situação, sem deixar suas boas lembranças dessa pessoa para trás.

Comparado ao que temos hoje, e até mesmo ao que víamos na época, o filme não assusta, mas a história tão bem escrita e os questionamentos levantados nos envolvem e nos deixam tenso com o decorrer dos eventos no filme.  Uma obra simples, bem realizada e acima de tudo divertida e com muita criatividade.

Com certeza essa não será a última vez que falarei de uma obra de Stephen King, mas até a próxima comentem o que acharam de Cemitério Maldito.

Para quem quer conhecer melhor as obras de Stephen King recomendo o site: http://www.kingofmaine.com.br/

( Uma última curiosidade: sete gatos diferentes foram escaldados para encarnar o personagem Church, cada um treinado para fazer um movimento diferente)

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