Resenha Cinematográfica – Psicose, de Robert Bloch e Alfred Hitchcock

Olá pessoal!

Primeiramente, prazer, meu nome é Ricardo Godoy, tenho 20 anos e sou o novo colunista aqui no blog. Diferentemente dos meus colegas não irei escrever sobre livros, mas sim sobre a arte que mais me fascina: o cinema.

Como assim? Não é um blog sobre livros? Bem observado, pequeno gafanhoto, mas não irei escrever sobre qualquer tipo de filmes, irei falar exclusivamente sobre adaptações de livros para a sétima arte e, para começar bem, farei um review de um dos maiores clássicos do cinema, cujo livro acabou de ganhar uma nova publicação no mercado brasileiro após mais de meio século fora das prateleiras nacionais, PSICOSE, um livro de Robert Bloch, adaptado por Alfred Hitchcock.

Quando um filme faz tanto sucesso e é tão importante ao ponto de, anos depois, criarem um outro filme sobre a produção desse filme (na verdade, é um livro, adaptado para filme, que muito tempo depois foi escrito um livro sobre a produção desse filme e o livro sobre o filme, por sua vez, também teve uma adaptação para o cinema…um tanto confuso) é porque estamos falando de uma obra grandiosa, realizada com maestria, por um diretor igualmente grandioso (e, sem dúvidas, entre os melhores de todos os tempos). São poucos os filmes que podem clamar esse mérito e entre eles está uma das maiores obras cinematográficas de todos os tempos, o já citado, Psicose (Psycho – 1960).

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ATENÇÃO, A PARTIR DESSE PONTO VIRÃO SPOILERS ACERCA DO LIVRO E DO FILME PSICOSE, SE VOCÊ NÃO VIU OU LEU UMA DESSAS OBRAS SIGA EM FRENTE POR SUA PRÓPRIA CONTA E RISCO.

Adaptada do homônimo livro de Robert Bloch, acompanhamos a história de Norman Bates, um homem solitário que vive em um motel de beira de estrada. Perturbado pela morte de sua mãe dominadora, ele constrói um santuário para ela em um quarto da casa onde moravam, casualmente se veste com as roupas da falecida e fala consigo mesmo como se estivesse falando com a própria mãe, saindo da sua reclusão apenas quando algum cliente aparece. No entanto, esse está longe de ser seu grande segredo, pois Bates se mostra um assassino cruel e calculista. Bloch mergulha na psique do personagem, explorando seus demônios internos e desconstruindo sua mente perturbada, criando um personagem complexo e com muitas camadas. Antecipando a febre das histórias de serial killers dos anos 80 e 90, o livro se tornou um clássico, mas apenas se ganhou o status de ícone da cultura pop após a adaptação de Alfred Hitchcock para os cinemas.

Mas o processo de criação e adaptação do filme não foi algo simples, na verdade existe toda uma história por trás desse clássico do terror. Psicose estreou em 1960, quando Hitchcock já era um grande expoente em Hollywood. Em 1959 alguns críticos diziam que o diretor havia atingido seu máximo após a estréia de Intriga Internacional (North by Northwest), um grande sucesso de crítica e bilheteria, e, antes disso, de Um Corpo que Cai (Vertigo, considerado por muitos críticos o melhor filme de todos os tempos até hoje) que o rendeu o título de “mestre do suspense”.

Determinado a provar todos do contrário, Hitchcock começou a planejar seu próximo longa, passando por diversos roteiros, mas nenhum realmente o agradava, até que ele se deparou com o livro Psicose, uma obra inspirada em fatos reais, e logo ficou fascinado e, pode até mesmo se dizer obcecado, com a narrativa, comprou seus direitos e escreveu o roteiro da sua mais nova obra.

A produção do filme passou por vários momentos de altos e baixos, mas essa é uma história muito longa e muito rica pra ser contada nesse breve texto, além disso aconselho o filme Hitchcock e o livro  Hitchcock And The Making Of Psycho que contam toda a história em detalhes.

O fato importante aqui é que Psicose foi aos cinemas e chocou platéias do mundo todo (relatos dizem que as pessoas gritavam no cinema durante a clássica cena do esfaqueamento no chuveiro) e o mestre do suspense mostrou que ainda tinha muito fôlego para continuar a fazer filmes incríveis.

Clássica cena do chuveiro

Mas por que a película é tão incrível?  Bem, essa é uma pergunta complexa, porque a história de Norman Bates revolucionou não só a estrutura narrativa no cinema, como também criou um fascínio popular por um novo gênero.

Mas, como Norman Bates gostaria, vamos por partes. Diferentemente do livro, o filme inicia-se acompanhando a história de Marion Crane, uma secretária de uma grande imobiliária que após roubar 40 mil dólares de foge da cidade onde morava para começar uma vida nova. No caminho, no entanto, ela para em um motel de beira de estrada para passar a noite, o famigerado Bates Motel, e é nesse ponto que temos a grande virada do filme, que mudou a maneira de se contar uma história, quebrou paradigmas e que, até hoje, surpreende pela coragem do diretor de tomar uma decisão dessas: na metade do filme nossa protagonista é esfaqueada no banho.

Em um cinema hollywoodiano engessado em que filmes eram (e ainda são) feitos a partir de fórmulas para ganhar dinheiro, essa decisão de Hitchcock em matar sua protagonista foi bombástica e ainda hoje ousado (lembro de ter visto algo parecido apenas em Á Prova de Morte, de Quentin Tarantino), da metade para o final quem lidera o filme é um investigador procurando por Crane, que eventualmente encontra o motel e desvenda todo o mistério sobre a dupla personalidade de Bates.

Filmado em uma janela (espaço ocupado pela projeção na tela) menor se comparada aos filmes anteriores de Hitchcock e em preto e branco, o filme faz com que você se foque na tela e mergulhe dentro do enredo, deixando-o mais tenso a cada segundo. A opção do preto e branco foi feita pelo diretor após muitos envolvidos no filme, incluindo a própria produtora, o acharem muito violento e sanguinolento e a “falta de cor” atenuaria esse fato (similar ao que aconteceu em uma cena de Kill Bill e em todo o Centopéia Humana 2).

Para o espectador de hoje, no entanto, o filme não é considerado nada violento, mas para o público da época foi considerado pesadíssimo, tendo quase sido censurado. O engraçado é que não há nenhuma cena evidente de violência, todas são feitas a partir de cortes que criam a ideia de que a violência está acontecendo (para ver um exemplo clique na foto da cena do filme nesse post).

A trilha sonora é um show a parte e dispensa comentários (todos reconhecemos a clássica trilha sonora da já citada cena do chuveiro). Feita por Bernard Herrmann, que fez as músicas para a maior parte das obras de Hitchcock,, ela destaca o pânico e o clima de suspense durante toda a película.  Sem dúvidas é a sua trilha mais famosa.

Cena preto e branco de Kill Bill (2003)

Envolvente e inovador, Psicose se mantém até hoje genial em todas as mídias que já atuou. Desde sua estréia no cinema ganhou muitos prêmios, como Globo de Ouro e o Prêmio Edgar, e até indicações ao Oscar. Em 1998 uma sequência foi dirigida por Gus Van Sant (o que veio a gerar mais dois filmes, incluindo um prequel) e em 2013 foi lançada uma série chamada Bates Motel sobre a infância do assassino psicótico.

Atual até hoje, a obra de Alfred Hitchcock é um dos maiores clássicos do cinema.

Se você curtiu a resenha ou é psicótico, comenta ai.

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4 thoughts on “Resenha Cinematográfica – Psicose, de Robert Bloch e Alfred Hitchcock

    • r2cgodoy says:

      Muito Obrigado! É uma obra incrível mesmo e faz jus ao status de clássico. Recomendo qualquer filme do Hitchcock, especialmente esse e Disque M para Matar.
      Continue lendo o blog, mais resenhas e novidades em breve.

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