Resenha: A TORMENTA DE ESPADAS, de George R R Martin

Olá pessoal!
Gostaria de dizer que também pretendo começar a fazer resenhas em vídeo, pois a experiência mostrou-se bastante frutífera (: Queremos fazer inclusive em inglês! (E, quando tivermos mais coragem, alemão e francês hahaha).
Entretanto, tentarei esporadicamente fazer as tradicionais resenhas escritas, para que possamos contemplar todo tipo de amante das letras, né?
Após este anúncio, começo com a resenha mais difícil de ser feita. Por quê? Este é o melhor livro que já li. E, provavelmente, você deve ter ouvido coisas muito boas das pessoas sobre esse livro ou sobre a temporada equivalente do seriado. É bom mesmo!! Embora meu banco de livros ainda seja relativamente pequeno, e embora existam livros que também chegam próximo (como O Guia dos Mochileiros), considero esse o livro que, no geral, foi o que mais me marcou.
A resenha conterá SPOILERS. Eu evito ao máximo ter que recorrer a eles, mas será preciso dessa vez, para que eu consiga deixar claro o que senti ao ler o livro. Entretanto, eu os colocarei AO FINAL, de forma que você que ainda não leu possa pegar a ideia geral do livro e se interessar por ele! (pressupõe-se que o leitor já tenha lido os dois livros anteriores, ok? Não falarei nada que ainda não passou no seriado!)

Caso você queira ler as resenhas dos livros anteriores, clique aqui, aqui, aqui aqui).
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Minha edição é a do box de colecionador, que ficou bastante famoso por ter entrado em promoção em diversas livrarias. O blog e a página do facebook cobriram essas promoções muito bem!

Pois bem, o livro segue o tradicional da série – a história é extremamente extensa (na coleção  que tenho, o livro possui quase 1500 páginas). É também sempre banhada por intensa descrição, o que às vezes é maravilhoso, ao descrever o que uma personagem sente fitando o céu noturno, por exemplo, e às vezes torna a leitura muito maçante, pois acaba eliminando acontecimentos que te surpreendem, sabe. Também, por vezes, esse excesso de descrição corta a nossa imaginação, tornando a leitura passiva. Muitas vezes, isso acaba prolongando o tempo de leitura para algumas pessoas. Mas não se deixe abater – o final é sempre o melhor, como nos dois livros anteriores (basta se lembrar de Ned Stark e do assalto a Porto Real!)

O livro continua o enredo fazendo uma ressalva quanto a cronologia; às vezes, ele segue vários capítulos falando sobre personagens no Norte, por exemplo, para depois retomar alguns no Sul, por vezes, “voltando no tempo”. É legal desta forma pois cria uma continuidade na sua cabeça. – se ficasse intercalando demais, acho que seria pior. A terra continua em guerra, porém de forma menos acentuada, com o fracasso do assalto de Stannis em Porto Real. Como já abordei em outras resenhas, o autor separa os capítulos de uma forma inconvencional: cada capítulo é o nome da personagem que irá abordar. Assim, nunca temos onisciência, e sempre estamos vivendo intensamente o que aquele personagem sente. Isso é maravilhoso, ainda mais neste 3° livro; faz com que você se envolva diretamente com o drama da personagem. Em uma situação de tensão, você estará por vezes mais ocupado pensando o que a personagem pensa do que o que você mesmo sabe, baseado nos outros capítulos.

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Gostei bastante do foco que o livro dá nas famílias. As casas Tyrell, Martell e Greyjoy passam a se tornar mais importantes, e o leitor passa a se inteirar mais pelas linhagens destas casas, e suas características. Além, é claro, das onipresentes Stark, Baratheon e Lannister. A jornada de Daenerys também passa a se tornar extremamente interessante, com o livro contando como uma menina saiu da miséria absoluta em um deserto e conseguiu construir, aos poucos, um exército para conquistar Westeros. Os dragões também estão crescendo, passando a ter um papel bem mais ativo – algo como os lobos gigantes dos Stark, já. Enfim, o enredo no geral é muito bom, e recomendo profundamente. O problema é que às vezes você vai demorar para chegar em partes interessantes… Por isso, recomendo intercalar com outras obras, ou até mesmo vendo os episódios do seriado (como sempre, minha dica é ler antes de ver!) Recomendo totalmente. A série, para mim, foi amadurecendo, com o terceiro livro melhor que os anteriores, e o universo de Thrones está se tornando um clássico indiscutível, é só acompanhar o frisson que foi gerado com o final da terceira temporada.

– A partir daqui começam os Spoilers deste livro-

Primeiramente, gostaria de falar sobre a personagem Melisandre, a bruxa vermelha. É uma figura extremamente intrigante durante toda a obra, e, por algum motivo, a maioria das pessoas se apega mais a Davos do que à ela, fazendo com que Melisandre torne-se “do mal”. É legal também o fato de ela representar o choque de religiões, tão comum no contexto humano. Gosto de dizer que quando comecei a ler/assistir Game of Thrones, eu achava que a história era bem menos “fantástica”, mas conforme fui lendo isso foi se negando cada vez mais. Primeiro os dragões, e depois a magia dessa mulher vão, gradualmente, mudando uma face da história. A magia dela mostra-se sobretudo presente com as sanguessugas (quem leu, sabe…), o que me chocou consideravelmente. Eu sinceramente não acreditava.

Gostei também muitíssimo da aparição de Sor Barristan Selmy com Daenerys, pois é considerado o melhor espadachim de Westeros. Ele volta para honrar o compromisso com a casa pela qual antigamente fazia parte da Guarda Real, e busca a honra que os Lannisters não mostraram ter.

(O próximo Spoiler é, sem dúvida, o mais pesado – se você não leu ou assistiu ao episódio, e o pretende fazer, recomendo que PARE IMEDIATAMENTE).

Por fim, falarei sobre o imensamente polêmico casamento. Entitulado “O Casamento Vermelho”, foi a leitura que mais me chocou em toda minha vida- Principalmente pois minha personagem preferida era Robb Stark. A situação acontece de forma esplendidamente bem escrita – no seriado ficou sensacinal, mas arrisco dizer que não chega nem perto da experiência do livro. Talvez por que sabemos o que as personagens pensam, na obra. Por exemplo, na hora da entrada nas torres Frey, eles oferecem Pão e Sal aos visitantes, o que indica que passa a vigorar a Lei da Hospitalidade. Catelyn, que já estava receosa com os Frey, fica então aliviada – quebrar a lei da hospitalidade é ferir um voto sagrado. Na festa pós-casamento, então, todos, inclusive VOCÊ leitor, estão tranquilos, e não esperam nada. Algumas personagens inclusive estão ébrias, o que contribui ainda mais para sua tranquilidade e a covardia que se segue. Catelyn percebe a mudança na música para As Chuvas de Castamere, música típica de desgraças e tristezas e muitas vezes relacionadas aos Lannister. Percebe que algo está errado. Corre para a porta que é fechada, e, ao tocar no guarda, sente a cota de malha, que entrega o plano. Nesse momento, Robb é atingido por duas e depois uma terceira flecha, Catelyn também, e todos os homens dele são mortos, alguns de forma violenta – degolados, apunhalados sucessivas vezes, e até uma mulher recebe um machado na barriga. Catelyn então faz um apelo final, pegando um neto louco de Walder Frey como refém. Frey, com toda sua frieza, pouco se importa, e Robb é morto com uma espada atravessada em seu coração. Catelyn então, assassina o neto de forma brutal, cortando-lhe a garganta até o osso, e o leitor consegue sentir a loucura transbordando daquelas 2 eternas páginas.  Loucura de uma mãe que viu seu marido ser decapitado, seu filho mais velho ter o coração atravessado, seus dois filhos mais novos serem queimados junto com seu anterior castelo(no livro, eles são dados como mortos), sua filha mais velha casar com um anão Lannister, e a outra perdida. Loucura de um leitor que passou milhares de páginas se cativando por aquelas personagens, e que esperava um final feliz, mas vê tudo acabar-se em 2 páginas. Catelyn perdeu tudo, e a angústia que atinge o leitor é simplesmente impressionante.  Por fim, ela sente suas lágrimas e o sangue escorrendo, e começa a rir, numa clara manifestação de insanidade, pois não acredita em nada daquilo. Alguém então vai e corta-lhe a garganta, com toda a frieza do mundo. Posteriormente, Catelyn é jogada nua no rio, Robb é decapitado e costuram a cabeça de seu lobo no lugar da sua, jocosamente o chamando de O Rei Lobo. Todos os soldados dele são massacrados na emboscada, e Bolton, o traidor, é proclamado protetor do Norte e dono de Winterfell pelos Lannister. (…) É simplesmente inefável o sentimento que é passado, ainda mais esse desconfortável triunfo das forças do mal… Vale notar que o seriado retratou a cena com extrema violência também, porém distorceu algumas coisas. A mulher de Robb não foi ao casamento no livro. Porém, no seriado, é brutalmente assassinada com punhaladas em sua barriga, aonde estava o bebê do casal. O neto louco de Walder também é substituído por uma mulher dele. Tudo isto, creio, para dramatizar ainda mais a cena que ficou tão, tão famosa na internet.
Devo admitir que parei de ler o livro por cerca de uma semana – o que entra na nossa cabeça é um vazio povoado de reflexões. Mesmo sendo terrível, tiro minha cartola para o envolvimento que o autor conseguiu criar com todos os leitores e espectadores, construido ao longo de toda a série. E isso, livro nenhum ainda tinha feito comigo, talvez por conta da crueldade excessiva utilizada.

Me desculpem pela extensão da resenha, mas acho que esses acontecimentos mereciam tal reflexão, não é?
Espero que tenham gostado!
Até mais,

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One thought on “Resenha: A TORMENTA DE ESPADAS, de George R R Martin

  1. hugomendes17 says:

    Muito boa resenha moça…. Um pouco diferente das minhas, que fica parecido com um podcast escrito rs, mas ficou ótima… Muito boa mesmo… Sou do Manuscritos Coletivos, Editor e Diretor de Relações Públicas (ignore o último kkk)

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