Dos best-sellers e da indústria literária,

Olá, pessoal!

Nos últimos tempos, tenho me ocupado um bocado com alguns best-sellers (séries imeeensas que não acabam nunca!) e acabo não tendo tempo para ler outras tipos de livros.

O que mais tem me chocado nessa indústria literária é o fato de que os best-sellers formaram uma nova categoria literária, não somente pela grande quantidade de vendas, mas também pelo fato de serem livros divertidos, os famosos “tire seu cérebro e leia”.

Fico um pouco chateada quando penso nisso. Principalmente, com dois fatos: a explosão de vendas que foi 50 Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey) e a decepção que foi, para mim, a Bienal do Livro de São Paulo em 2012.

2013-02-21 16.45.09

Eu acho sim, que as pessoas devem ler coisas mais leves de vez em quando, sim. Assim como assistir um filme comercial, eu mesma sou muito fã de Super-Heróis, mas todo mundo sabe que não há grande filosofia por trás deles. (sou super fã do Homem de Ferro, acho que é bacana ter esse lado de diversão).

O problema é que, ultimamente, os best-sellers “tira cérebro” são as ÚNICAS coisas que a maioria das pessoas lêem. E, infelizmente, a maioria deles não leva a coisas boas.

2013-02-22 18.01.41

Harry Potter foi um best-seller bem diferenciado, porque cativou todos os tipos de leitores, e leva consigo alguns ensinamentos de ética, humanidade e amor. Voldemort é, nada mais, nada menos, que Hitler transformado em um bruxo. Crepúsculo (Twilight) é um best-seller que incentiva o amor e a moral, ao mesmo tempo em que evidencia um desejo doentio e mortal da paixão entre a presa e seu predador (é interessante a escrita, porque você se sente conversando com um amigo). Guerra dos Tronos (Game of Thrones) conquistou a população pelas tramas e pelas lutas de reis, pelo lado político de uma sociedade medieval envolvida com magia. Jogos Vorazes (Hunger Games) apelou para a crítica da sociedade em um reality-show, usando muitos elementos de 1984. Eragon retomou a sociedade criada por Tolkien em O Senhor dos Anéis, recriando as imagens dos elfos, anões e outros elementos da Mitologia Nórdica.

Todos esses livros desenrolam histórias boas, com alguns elementos de livros clássicos, mas até aí a criatividade está em juntar esses elementos e fazer uma trama que tenha linearidade de pensamento e seja envolvente.

O que me choca com 50 Tons de Cinza é, não só a falta de linearidade do texto e os diálogos pobres, mas o fato de que é a maior cópia deslavada de Crepúsculo já vista. E o pior: indica que as mulheres devem ser submissas a um homem, ainda mais se ele for muito rico, bonito, rico, inteligente, rico… Porque o Crepúsculo ainda incentiva sentimentos e ações boas, mas ler um livro que acha bacana ser sádico-masoquista em relações sexuais em que você é obrigado a ser submisso a outra pessoa? Acho que não foi para que a literatura tivesse esse fim que Virginia Woolf passou tanto tempo escrevendo seus livros para mostrar à mulher de que deveria ser independente.

2013-01-22 12.43.17-1

Quanto à Bienal, em todos os zilhões de estandes que haviam lá, a maior parte livros eram best-sellers (sempre os mesmos!), enquanto o resto se dividia em estandes da Turma da Mônica Teen (o que não é ruim, afinal, é a única HQ brasileira que é reconhecida) e estandes religiosos.

Desde pequena, sempre gostei de ir para a Bienal com minha mãe para comprar livros clássicos mais baratos, afinal, sempre foram os livros mais caros para se comprar. Na última edição do evento, os best-sellers estavam mais caros que nos sites de livrarias ou em livrarias mesmo e os clássicos NEM ESTAVAM PRESENTES. Os poucos que se encontravam lá eram edições de bolso, com traduções mais-ou-menos, e custavam caríssimo pela qualidade de impressão que apresentavam.

Enfim, a Bienal do Livro se tornou uma forma das editoras venderem mais, e não melhor. O evento não tinha capacidade para tanta gente e, na maioria dos lugares, tinha-se que enfrentar filas enormes para conseguir comprar um livro que seria mais barato pela internet.

Conclusão: decepção.

Advertisements

7 thoughts on “Dos best-sellers e da indústria literária,

  1. Bom demais o post! Interessante essa análise mais crítica, detalhando grande parte dos best-sellers atuais. Concordo em peso, acho que os best-sellers atualmente são meio que essenciais, até como difusão da literatura nos dias de hoje… Mas isso não justifica conteúdo raso, como em 50 tons de cinza (e esse livro tá dando o que falar…).
    E as séries são especialmente tensas! Quando boas, prendem o leitor de forma a “obrigar” ele a ler todos os livros. Isso também tem emprobecido minha biblioteca, no sentido de variedade. Mas, para quem tem tempo sobrando, acho que não deve ser um problema.
    Faz um certo tempo que não frequento mais bienais também, talvez pelos motivos que vc citou. A superlotação e os preços têm me repelido. Infelizmente, pois é legal poder interagir com pessoas em espaços como este, que são raríssimos hoje em dia…

  2. Imyra says:

    Legais as questões levantadas na postagem, o quanto os best-seller acabam por restringir o mercado e sufocar uma literatura mais autoral e menos comercial, mas creio que sempre tenha sido um pouco assim, o sucesso do momento abafando os autores B, o problema é que hoje em dia as livrarias e a bienal, no caso, amontoam-se de exemplares de best-seller e quem procura algo diferenciado – sendo aqui até os clássicos – acaba ou por não achar, ou por achar em edições porquísssimas, ou por um preço absurdo.
    Um problema quando você fala do 50 tons de cinza e o compara com best-seller como Harry Potter é que o primeiro, ao contrário de todos os que você o comparou com, não é voltado para o público infato-juvenil… Harry Potter, Jogos Vorazes e a Saga Crepúsculo – todos eles são voltados para crianças e adolescentes, enquanto o 50 tons é voltado para, não sei, mulheres de meia idade que não tiveram contato com livros eróticos melhores na juventude? Concordo que a comparação é válida quando, nesse caso, a facilidade da fórmula fica evidente demais colocando a trama em contraste com o prévio best-seller Saga Crepúsculo… Menininha ingênua e incapaz que acaba se apaixonando por homem mais velho (MUITO mais velho no caso do Edward) e RICO. Nesse quesito não acho que as duas “sagas” tenham tanta discrepância, mas é importante lembrar que são públicos diferentes. Enfim, só um comentário que coloco para quando você analisar uma coisa, certificar que sua comparação está sendo feita sobre coisas de mesma categoria – não só best-seller – best-seller, mas best-seller infanto-juvenil e best-seller.

    • biancamaia says:

      Acho muito válido o que questiona, Imyra. A minha comparação só vem do fato de que uma história é a cópia da outra, e sim, são públicos diferentes, mas mesmo assim, o fato de um livro ser escrito para adultos não quer dizer que ele deve incentivar o sado-masoquismo, como é o caso de 50 Tons. Agradeço o comentário e peço que volte sempre! =]

  3. Ótima a sua abordagem quanto ao o mercado de livros ultimamente. Também concordo com o fato de ler um livro “tira cérebro” (como você diz) esporadicamente, isso é ótimo! Mas o pessoal esta levando a leitura à outro patamar, falta um pouquinho de sentimento talvez?
    Acho que ler um livro ou ver um filme comercial, não nos torna menos inteligentes. Mas nos impede de aprender lições valiosas que talvez estejam escondidos em outras obras.

    Simpatizei muito com seu blog e com o jeito que você escreve! Vou acompanhar de perto.
    Um abraço.

    Eduardo

    • Obrigada pelo comentário, Eduardo! hahaha, concordo com você, de que ler esses livros não nos torna menos inteligentes, mas SÓ ler esses livros é complicado, porque você deixa de aprender muita coisa que poderia estar aprendendo com livros mais reflexivos, né?

      Obrigada mais uma vez! Volte sempre =]

  4. francofmy says:

    Bianca, excelente opinião! Eu odeio best-sellers de historinha mamão com açúcar, daqueles que não dá pra tirar uma informação cultural ou histórica. Só não odeio mais do que livros de auto-ajuda. Mas, por razões mais do que óbvias, são as duas coisas que a grande maioria das pessoas mais lê.
    Sou até um pouco mais extremista e não acho nem Harry Potter e nem Crepúsculo interessantes, mesmo que se consiga tirar lições de amor e moral, eu prefiro tirar essas lições lendo García Marquez ou Chico Buarque (do qual, pra ser sincero, eu só li Leite Derramado), por exemplo.
    Enfim, não estou discordando de ti, só estou expondo um adendo que eu faria, pois concordo com seu texto de cabo a rabo.
    No mais, continuarei lendo e comentando. É sempre bom encontrar outros engenheiros que sabem conversar sobre letras que não sejam incógnitas…

    • Franco, muito obrigada pelo comentário! Acho muito interessante o que me disse. Na verdade, acho que seria muito bom mesmo se para cada “50 Tons de Cinza”, um milhão de “Leite Derramado” fossem vendidos. Mas a gente sabe que não é assim, né? Leia “Budapeste” também do Chico, e verá que ele é um ótimo escritor, além de todo o resto em que ele é ótimo. Volte sempre! =] (lembre-se de que às vezes um best-seller é bom para descansar a mente e te fazer esquecer da dura realidade da vida, hahaha, acho que é por isso que vendem tanto. Sei lá, eu tento ler de tudo para poder opinar, mas tipo auto-ajuda é triste, né? hahahaha) beijos!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s